Interpretando os Principais Indicadores Fundamentalista – Segunda Parte

No artigo anterior, falamos sobre os principais indicadores para uma analise fundamentalista. Neste, irei expandir o assunto, mostrando novos indicadores fundamentalistas, bem como mostrarei de que forma identificar empresas em situação financeira complicada, sejam micos (empresas com grandes dificuldades financeiras e com risco de insolvência) ou empresas turnaround (empresa com dificuldades financeiras hoje, mas com potencial de melhora no futuro).

Qual a importância de se identificar empresas que apresentam dificuldades financeiras?

Empresas que se enquadram neste perfil, geralmente possuem alta volatilidade, além de apresentarem riscos maiores ao investidor. Isto porque grande parte da movimentação na cotação ocorre por conta de especulação com o papel. Não tenho nada contra micos ou empresas turnarounds, porém, no meu perfil de risco, prefiro ficar longe destes investimentos altamente especulativos. O investidor que estiver disposto a correr um risco maior visando uma pequena chance de ganho elevado, em um curto espaço de tempo, pode separar uma parte pequena de seu capital para aplicar nestes ativos. Mas, vale lembrar que os riscos são maiores e o investidor pode perder boa parte do capital investido nestes ativos. Não recomendo a ninguém aplicar mais de 10% do seu capital em empresas deste tipo, valendo, de logo, ressaltar que mico e LP (longo prazo) são duas palavras que não combinam.

 

Para quem opera com base em analise técnica, também é prudente ficar fora destas empresas, visto que a movimentação da cotação não costuma respeitar muito os padrões gráficos. Com as informações abaixo, o investidor será capaz de identificar empresas com maior cunho especulativo e fazer um melhor gerenciamento do seu risco. Irei explicar abaixo os principais indicadores isoladamente, e depois como usá-los em conjunto para a avaliação.

Liquidez corrente menor do que 1: Liquidez corrente é calculada dividindo o ativo circulante pelo passivo circulante. Este indicador mostra a capacidade de pagamento das obrigações de curto prazo da empresa. Por exemplo, uma empresa com liquidez corrente igual a 3, significa que para cada 1 real que a empresa terá que pagar no curto prazo, ela possui em caixa 3 reais. Já um valor como 0,5 significa que para cada 1 real que a empresa terá que pagar em obrigações de curto prazo, ela possui 0,5 reais em caixa, ou seja, saldo insuficiente. Alguns setores permitem que a liquidez corrente esteja abaixo de 1, e a empresa continue com caixa saudável. Isto ocorre em empresas com fluxo de caixa mais previsíveis, como elétricas por exemplo.

Dívida bruta / Patrimônio maior do que 2: A dívida bruta é calculada somando as dívidas da empresa com as debêntures emitidas (ou seja, todas as obrigações financeiras), tanto de curto quanto de longo prazo. Depois é só dividir este valor pelo patrimônio líquido da empresa. Este indicador mostra o quanto o endividamento da empresa está alavancado sobre o patrimônio da empresa. Um indicador igual a 3 por exemplo, significa que a empresa possui um endividamento 3x superior ao patrimônio da empresa. Mas atenção: Este parâmetro não serve para empresas do setor bancário, onde este número pode ser bem superior.

Margem liquida negativa: Este é simples, se a margem líquida anual da empresa estiver negativa, significa prejuízo no resultado. Margem liquida nada mais é que o lucro ou prejuízo líquido dividido pela receita liquida. Porém, existem algumas empresas que abrem mão do lucro no curto prazo, para aumentarem seus investimentos, visando a um retorno maior no futuro. Por isso, é preciso cuidado ao se investir em empresas que estão apresentando prejuízos nos resultados. Embora isto não signifique que a empresa esteja diante de dificuldades financeiras, se for investir nesta é preciso estudar a fundo e analisar o porque deste prejuízo, e se tem perspectivas de melhora no curto prazo.

Se uma empresa se enquadrar em dois destes três indicadores, pode ter certeza de que ela este enfrentando dificuldades financeiras, sendo, portanto, um ativo de maior risco.

A ideia neste artigo não é analisar qual o grau de risco do ativo, ou se é somente uma dificuldade de curto prazo, tampouco qual seria o perfil da dívida, mas sim se o ativo se enquadra no quesito de ativo de alto risco, com base em parâmetros financeiros pré-definidos. Isso é extremamente útil para o investidor saber onde esta pisando, ou, então, manter a devida distância.

Patrimônio líquido negativo: Este é o mais simples de todos. Se o patrimônio líquido da empresa estiver negativo, é sinal de que ela enfrenta sérias dificuldades financeiras. O patrimônio líquido indica quanto os sócios tem de valor na empresa. Este valor negativo por si só já identifica um mico.

Vamos agora aos exemplos práticos com base nos resultados dos últimos 12 meses, reportado pelas empresas:

  • HAGA4 – Primeira coisa a olhar é se o patrimônio líquido esta negativo, neste caso sim, em – 83 milhões. Resultado: mico!
  • PMAM3 – Patrimônio líquido positivo. Vamos aos outros indicadores:
  • Liquidez corrente: 0,9 – Ruim;
  • Dívida bruta / Patrimônio: 2,9 – Ruim;
  • Margem líquida: +1,2% – OK, mas muito baixa;
  • Como temos dois indicadores dentro dos parâmetros de classificação, podemos dizer que a empresa esta enfrentando dificuldades financeiras, e com isso é um ativo de alto risco!

Outro fator que os investidores sempre tem que ficar atentos é no prazo de divulgação dos balanços. É comum micos atrasarem a entrega dos balanços, e muitos ficam diversos trimestres sem fazer divulgações destes. O problema disso é que a CVM, órgão fiscalizador, pode efetuar um bloqueio na negociação do ativo, por tempo indeterminado, até que a empresa regularize esta situação. Isto ocorreu, por exemplo, com os acionistas de AGEN11 há alguns anos atrás, que ficaram quase um ano presos ao ativo, sem poder negociá-lo.

MICO NA BOLSA

 

Um caso especial são as empresas pré-operacionais, como as empresas do grupo X, por exemplo. Elas não se encaixam nestes parâmetros acima, porém vale ressaltar que são igualmente investimentos de alto risco como as empresas em situação de dificuldades financeiras, pelo alto cunho especulativo devido à grande incerteza na geração de caixa no futuro.

Estes indicadores também servem como parâmetros de atratividade (adicionado na análise com os indicadores mostrados no artigo anterior) . Ou seja, empresas com alta liquidez corrente, baixa dívida bruta / patrimônio, e boa margem liquida, possuem uma situação financeira mais tranquila.

No próximo artigo abordaremos algumas estratégias envolvendo a análise fundamentalista, em especial mostrando as diferenças entre investimento de valor x crescimento, e na sequência a estratégia focada em valor + dividendos.

POST MIGRADO DO ANTIGO BLOG DA PENSERICO

4 thoughts on “Interpretando os Principais Indicadores Fundamentalista – Segunda Parte

  • 28 September 2017 at 10:05
    Permalink

    Show, Viver!
    Uma sugestão seria informar o nome em inglês dos indicadores, para analisarmos as ações lá fora. Claro que, com o texto, já podemos buscar o nome em inglês no Google.
    Vlw

    Reply
    • 28 September 2017 at 14:09
      Permalink

      vamos colocar uma plataforma em português aqui pra vcs de empresas americanas

      Reply
      • 28 September 2017 at 22:02
        Permalink

        Aí vi vantagem hein, hehehe

        Reply
        • 29 September 2017 at 11:57
          Permalink

          vai ficar bacana, aguardem e verá

          só vai demorar um pouquinho pra sair, mas vai sair!

          Reply

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *