Calcular o retorno total da ação

Calcular o retorno total da ação

Tempo leitura: 5 minutos

Vamos ilustrar nesse artigo como funciona a dinâmica de retorno das ações na bolsa de valores. Vou usar um exemplo para mostrar como devemos calcular o retorno total de um ativo que distribui dividendos. Muitas pessoas só analisam o retorno das ações olhando apenas os ganhos de capital ou apenas os dividendos. Quando se tem um ativo na carteira deve-se olhar os dois.

Madara e seu Opala

Hoje pedi emprestado ao meu primo Madara $10.000 e prometi retornar essa grana daqui a 1 ano. Eu até dei a ele um papel com minha assinatura, comprometendo-me a paga-lo. Se não pagar, o primo Madara poderá colocar-me no SPC. Do ponto de vista do Madara esse negócio é um investimento, do meu ponto de vista é uma dívida.

Se o Madara é meu amigo ele certamente iria emprestar essa grana sem cobrar juros. Para não ficar apenas na amizade e comprometer meu relacionamento com o Madara, adicionei um prêmio de $800 que posso pagar aos pouco antes de encerrar a minha dívida. Então eu irei pagar os $10.000 do empréstimo e $800 de juros ao Madara.

Os $800 serão pagos em até um ano. Esse valor é conhecido como Dividend Yield. No caso esse empréstimo tem um Yield de 8% que é os $800 dividido por $10.000. Os 8% são bem mais que a inflação da época e provê um retorno decente para o meu primo.

Logo depois de emprestar o dinheiro, Madara abriu o jornal e viu o anuncio de um Opala Coupé 75. Ligou para o anunciante. Kakashi disse-lhe que o Opala custava exatos $10.000. Infelizmente, ao menos pela perspectiva do Madara, ele não pode obrigar-me a devolver o dinheiro emprestado. Tenho uma obrigação legal de apenas devolver a grana depois de um ano.

Opala do Madara
Opala do Madara

Madara pensou em ir em algum banco e pegar um empréstimo para comprar o Opala, mas os juros não seriam convidativos. Então Madara chegou até você e mostrou-lhe a nota de crédito que ele tem comigo. Ofereceu vender essa nota de credito a você.

Você que não é nada bobo, sorri para Madara e diz que pagaria $9.500 pela nota de crédito. Madara vende na hora a nota para você, ele está doido para comprar um Opala a muito tempo, e não se importaria em perder $500 nessa jogada.

Vamos considerar a situação agora do seu ponto de vista. Os termos da nota do empréstimo não mudaram, eu irei pagar os $10.000 do principal a você e ainda os $800 de juros. Se você comprou a nota por $9.500 você teve um ganho de capital de $500 além dos 8% de Yield.

Os ganhos vieram de dois lugares, ganho de capital e dividendos.

$800 de juros / $9.500 = yield de 8,4%

+ $500 ganho de capital / $9.500 = ganho de capital de 5,3%

= $1.300 lucro total / $9.500 investimento = retorno total de 13,7%

É Gordon mas não é o comissário

Nós acabamos de ver com o exemplo do Madara que não é correto olhar de forma isolada Dividend Yield ou Ganho de Capital para medir o retorno de um ativo.

É muito comum aqui no blog aparecer pessoas dizendo: “nossa Viver de Dividendos essa ativo não é atrativo porque tem X% de Dividend Yield.”

Ou as vezes, muito pior, eles chegam falando: “nossa Viver de Dividendos esse ativo tem um P/L muito alto, eu não invisto em empresas com esse P/L.”

Talvez você esteja chegando aqui pela primeira vez e não tenha visto alguns artigos que escrevi mostrando porque isso é errado.

Sobre olhar Dividend Yield escrevi que é melhor olhar o crescimento do DPA e não o DY do ativo.

Sobre usar P/L para analisar retorno de ativo eu já escrevi um artigo mostrando como utilizar o Dividend Discont Model do Gordon Growth Model.

O Modelo de Desconto de Dividendos mais conhecido como DDM é usado para valorizar o preço de uma ação usando dividendos futuros previstos e descontando-os de volta o valor presente. Se o valor do calculo for maior que o valor atual da ação significa que a mesma está subvalorizada.

O Modelo foi desenvolvido por Myron J. Gordon e Eli Shapiro, mas a fórmula ficou conhecida como Modelo de Gordon.

Calculando o retorno total

Toda semana na minha página de Carteira, são uns três comentários sobre retorno dos meus ativos. É comum aparecer algo como: “Viver você recebe X de dividendos e tem investido Y, eu achei muito pouco”. Podem acessar lá que vai ver inúmeros casos desses nos comentários.

Acho engraçado que pessoas assim não conseguiram ainda entender o básico de um investimento em ação. O RETORNO TOTAL que apresentei no início do artigo, e querem questionar a estratégia alheia.

Ao longo desses quase 5 anos investindo na bolsa, em ações de crescimento de dividendos, minha bola de neve multiplicou de forma bem agressiva. Mas os caras não conseguem ver, pois isso é só uma ponta do iceberg a outra parte está no ganho de capital.

Dividendos recebidos anualmente até 2018
Dividendos recebidos anualmente até 2018

Pega por exemplo os ganhos de patrimônio. Venho publicando todos os meses nos artigos sobre orçamentos, e verá o poder que as ações possuem quando considera-se o retorno total.

Aumento de patrimônio de 2,79% num único mês
Aumento de patrimônio de 2,79% num único mês. Veja o Twitter aqui.

Peters do MorningStar simplificou a fórmula de retorno total fazendo o seguinte:

Dividend Yield + Dividend Growth = Retorno total esperado

Peters Total Return Model

Troque suas fraldas mas não troque a JNJ de mãos

Vamos ilustrar isso com o exemplo da Johnson & Johnson. Se olharmos apenas o Dividend Yield da JNJ teremos um retorno anual de 2,59% sendo o dividendo atual de $3,60 ao ano dividido pelo preço de $139,20 (cotação de 25/04/2019).

Um Yield em dólar de 2,59% para mim já é bem legal. Lembre-se que você está posicionado numa das moedas mais fortes do mundo. Não adianta você ter 5% de Yield no câmbio que em um mês está R$ 2,00 para cada dólar e no ano seguinte salta para R$ 3,90 cada dólar. Se comprar $1 (um dólar hoje) ele continuará valendo $1 dólar amanhã. Isso é uma moeda forte.

Levantando um histórico de crescimento dos dividendos da JNJ teremos o seguinte:

Taxa crescimento dividendos JNJ
1 ano 3 anos 5 anos 10 anos
6,6% 6,3% 6,4% 7%

Vamos considerar um crescimento de 6,5% nos dividendos da JNJ.

Se somarmos 2,59% (yield) + 6,5% (crescimento dividendos) = 9,09% de retorno total esperado.

Um retorno de +9% é um excelente retorno. Novamente, lembre-se que é um retorno em dólar. Apesar de 9% já ser bem interessante quando o mercado se depara com um ativo desses ele geralmente acaba pagando mais e mais por isso.

Quer uma prova disso, vamos olhar ao longo de 10 anos históricos da JNJ.

Últimos 10 anos de retorno da JNJ
Comprei em abril 2009 por $51,40
Vale hoje abril 2019 $139,20
Nos 10 anos recebi de dividendos $27,40
Meu retorno total foi de 224,20%

Dando um retorno total de 224,20% um baita retorno CAGR de 12% ao ano. Dificilmente encontrará uma classe de investimento que entregue-lhe isso hoje. E a JNJ nem é um ativo tão top a nível de retorno, estou pegando um exemplo mais pobre para vocês não falarem que estou sendo tendencioso.

Conclusão

Quando combina ativos bons como os da carteira Top Picks do Ex-Dividend ou outros ativos como os que tenho na carteira passa a ter aumentos de 2,79% ao mês em seu patrimônio.

São 2,79% já retirando os aportes dessa conta, ou seja o patrimônio subtraído os aportes aumentou em 2,79% em um mês, não é ao ano não, faça as contas.

Em resumo, pare de ficar olhando só DY para mensurar o retorno de um ativo, pois estará olhando só metade do bolo e pare também de ficar olhando apenas o ganho de capital porque estará perdendo a outra metade.

Não adianta cavar rápido e fundo se está cavando no lugar errado.

Você perde muitas oportunidades porque está olhando para o lugar errado.

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3 Segredos para alcançar a Independência Financeira

Tempo leitura: 1 minutoindependência financeiraMuitas vezes na nossa caminha rumo a Independência Financeira nos preocupamos em analisar as empresas, medir o seu valor, saber se está caro ou barato pra comprar, enfim perdemos boa parte do nosso tempo estudando sobre isso.

Ter sucesso nos investimentos é relativamente simples, o problema é que gastamos muito esforço em tentar controlar o que não está à nosso alcance, como entender o animo do mercado, analisar balanços, fazer previsões.

Acabamos neglicenciando algumas coisas importantes e que estão sobre nosso controle. Vou mostrar nesse vídeo 3 segredos matadores pra que você possa alcançar a sua independência financeira com tranquilidade:

 

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O pior fundo de investimento da história

Tempo leitura: 4 minutosMutualFundsVamos contar nesse artigo a história do pior fundo de investimento dos Estados Unidos. Veja quando ele foi formado, quem eram seus gestores, e o que fizeram de errado. Aprender com seus próprios erros é bom, mas aprender com os erros dos outros é muito melhor (ok é mega clichê isso). Estude os fracassos assim como se estuda os casos de sucessos, ambos tem muito a nos ensinar.

Já falei aqui antes que tempo de mercado é mais importante que timing de mercado. Quanto menos ruído escutar do mercado melhor será, mantenha sua atenção naquilo que você possa controlar, como:

  • Aumentar sua taxa de poupança ao longo dos anos
  • O tipo de investimento que você faz
  • O período de tempo que segura esses investimentos
  • Diversificar de forma organica sua carteira

falei do Voya Corporate que é um fundo passivo criado em 1935 e comprou 30 maiores empresas da época, nunca retirou e nem adicionou uma nova empresa. Moral da história o investidor que colocou 100 mil dólares na época hoje teria 18 milhões e renda de dividendos de 400 mil dólares por ano. Nada mau hein, enquanto isso você fica aí vendendo e comprando empresas tentando a todo custo bater o mercado. O fundo Voya superou o S&P500 com larga folga.

Já que vimos uns dos melhores fundos da história em ação, resolvi fazer o raciocínio contrario e pesquisar o pior fundo, depois entender porque ele se tornou tão ruim.

Ameritor Security Trust

O fundo Ameritor Security Trust foi iniciado em 1961 e fechado em 2011. Um investimento de U$ 10.000,00 (dez mil dólares) no findo no final de 1961, com dividendos reinvestidos, teria se transformado em míseros U$ 1.325,00 (Hum mil dólares) quando o fundo foi liquidado. Esse fundo cometeu erro após erro nesses últimos 50 anos.

ameritor

Pesquisando sobre o fundo, vai descobrir que veio da família Steadman que criaram um fundo em 1939. O fundo fui indo relativamente bem por 20 anos até que Charles Steadman assumiu o fundo em 1960. Veja aqui uma noticia no Money sobre Steadman.

pior fundo

Esses fundos acima foram chamados de  “Dead man’s funds” porque estavam sempre performando como os piores. O impressionante é que existem investidores presos a esses fundos até hoje, pelo menos os que sobreviveram. Os ativos em gestão no fundo saíram de 100 milhões de dólares na década de 70 para 8 milhões quando Charles Steadman faleceu. Na decada de 1990 o fundo teve seu nome alterado para Ameritor.

A grande maioria desses fundos citados acima você não vai achar dados, o Ameritor ainda tem algumas informações disponíveis graças ao Morningstar que tem mantido seus dados até hoje.

O que deu errado no Ameritor

A causa do fracasso desse fundo foi os dois últimos itens da nossa listagem feita acima sobre os fatores-chaves para o sucesso nos investimentos: Alta rotatividade, falta de diversificação. 

Com base nas informações de pesquisa, além disso podemos ver portfólios bastante concentrados.

O gestor do fundo constantemente, comprou e vendeu acções, resultando em altos custos de impostos sobre ganhos de capital. Isso ocorreu porque o gestor do fundo queria a todo tempo acertar o timing do mercado, tentar comprar no fundo e vender no topo.

Constantemente eles perseguiam as “ações do momento”, o que geralmente resultava no efeito contrario, comprava no topo e vendia no fundo. Se você constantemente, tentar acertar o topo e o fundo, você estará se auto-sabotando, porque estará matando os juros compostos.

Depois que Charles Steadman morreu na década de 1990, a sua filha assumiu. As taxas de administração continuaram elevadas e no final da história o fundo não entregou nada para seus investidores, quem ficou rico com isso tudo foi apenas os gerentes do fundo.

Os anos de bons retornos

Houve momentos onde o fundo fez algum dinheiro. Afinal quem nunca teve seus momentos de sorte tentando acertar o topo e fundo. Se pegarmos a cereja do bolo no Ameritor que seria entre 1974 a 2000 teríamos um ganho de 60 vezes o S&P500. No entendo, tomemos em conta o enorme risco que o fundo assumiu com o dinheiro dos investidores. Um investimento de 10 mil dólares em 1961 se o investidor tivesse saído no topo do fundo teria 452 milhões alguns anos mais tarde de investido o dinheiro.

Acredito que os dados desse fundo serão retirados da Morningstar dentro de alguns anos, pois uma vez que o fundo foi descontinuado é certo que saíra da base do Morgninstar. Portanto, nos investidores não teremos mais esses dados para aprendermos algumas lições importantes com o fracasso desse fundo.

Qual a moral da história?

O que eu quero trazer pra vocês, é que não devemos tentar achar o timing do mercado. Sempre estou a receber comentários aqui no blog, coisas nesse sentido como:

  • Viver não acha melhor mandar sua grana pra RF, disseram que é o melhor investimento do momento.
  • Viver você não se preocupa com essa alta da bolsa americana, me disseram que tem uma bolha lá.
  • Viver você não acha melhor vender a ação X porque já está cara, ou compra a ação Y porque está abaixo do valor justo.

Essas pessoas que pensam assim, não tem noção que estão perdendo todo o potencial dos juros compostos. Ao segurar uma ação estará economizando com gastos de impostos de ganhos de capital e recebendo dividendos crescentes por 20, 30 ou 40 anos.

Eles deixam de lado todas essas vantagens porque não querem sofrer qualquer diminuição em seu patrimônio liquido. No final, eles acabam aumentando seus custos, pagando mais impostos e perdendo mais dinheiro.

Essa armadilha é muito perigosa porque é algo que soa muito inteligente e convincente, pois temos as tendências de pensar sempre no curto prazo.

Claro que os investidores devem se lembrar que Buy & Hold não significa Buy & Forget, é preciso monitoramento dos seus ativos, vou fazer um post mostrando como acompanho minhas ações, o que devemos olhar, a hora de sair de um ativo, enfim fica pra próxima esse assunto. Até lá!

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Tempo de mercado é mais importante que o timing de mercado

Tempo leitura: 4 minutos1912845_origHá tanta energia e tempo gasto pelos investidores, mídia e gurus em “adivinhar” o topo e o fundo do mercado, se estamos num mercado Bull ou Bear. É cansativo para mim assistir isso. Para ser bem sucedido nos seus investimentos, é preciso manter as coisas simples e seguir princípios de senso comum.

Você não precisa de saber o topo e fundo do mercado para ser bem sucedido nos investimentos. Você na verdade precisa, de ter bem definido seus objetivos e como vai alcança-los, desenvolver sua estratégia e continuar o plano através dos bons e maus momentos. Tempo de mercado é mais importante que o timing de mercado.

O tempo de mercado

O tempo de mercado será o seu maior aliado na bolsa de valores. Quanto mais estudo e observo aqueles que estão próximo a mim, fico mais convencido que não fazer nada é a melhor estratégia para o sucesso no longo prazo da sua carteira.

A lição que tiro é que não importa se estamos num mercado Bull ou Bear o objetivo do investidor deve ser conseguir aumentar os seus aportes e investir cada mês mais em ações de crescimento de dividendos de qualidade, depois reinvestir esses dividendos e aguardar pacientemente os próximos 20 ou 30 anos.

Enfatize o fator fosso competitivo na sua escolha, uma vez que empresas de boa qualidade são mais propensas a sobreviver ilesas a uma profunda crise e continuar pagando um crescimento de dividendos. Mesmo durante os cenários mais difíceis, você conseguirá manter essas empresas com você por décadas sem se preocupar.

Quando era menos experiente no mercado, queria adivinhar o timing do mercado, entrar no mercado em baixa, comprando empresas barato e depois vender em alta quando todo mundo queria comprar. Na realidade essa foi a estratégia mais tola que já tomei, não é atoa que isso junto com a sistemática de ficar acompanhando rentabilidade são os fatores que mais tiram investidores da bolsa.

As vezes lemos alguns livros de gênios como Warren Buffett ou Bill Gates com seus fundos de investimento gigantescos, e achamos que podemos fazer igual. Acontece que pessoas como essas não surgem do nada, são gênios que aparecem uma vez a cada século, as chances de eu ou você ser um novo Warren Buffett é extremamente difícil.

Foque em fazer o simples, não tente adivinhar o timing de mercado, as chances de você falhar miseravelmente serão enormes se tentar fazer isso.

Evito ao máximo vender uma empresa, só realizo a venda quando não vejo perspectivas muito boas no longo prazo para a empresa, ou quando ela corta o crescimento dos dividendos (no caso de empresas americanas).

Eu não vendo empresas porque ela chegou a valer 500% do seu valor original, ou por qualquer variação na cotação, tanto para cima quanto para baixo, toda empresa continua na minha carteira por tempo indeterminado ou até que seus fundamentos piore.

Voya Corporate o fundo passivo

Temos um fundo passivo que foi criado à 78 anos atrás. O fundo Voya Corporate Leaders Trust foi criado em 1935 com igual número de ações ordinárias das 30 maiores empresas americanas na época.

Depois de 78 anos ele tem 23 grandes empresas na carteira, na sua fundação foi estipulado que ele não poderia incluir novas empresas, essa variação no numero de empresas na carteira foi devido a fusões, cisões ou eliminação de dividendos desde a criação do fundo.

O fundo é de gerenciamento passivo e registrado na SEC sob o código de LEXCX. Era para ele ser liquidado agora esse ano, mas devido ao enorme sucesso, sua vida foi estendida para 2100.

As 30 empresas originais foram:

voya 1935

As 23 empresas na carteira atualmente:

voya hoje

Veja aqui no site do fundo.

Essa estratégia só funcionou pelo fato do fundo confiar nos seus campeões de dividendo e deixar o tempo de mercado fazer a sua parte.

 

Um investimento de US$ 10.000,00 em 1941 valeria hoje US$ 18,4 milhões até o final de 2014 gerando uma renda de dividendos anual na casa de US$ 400.000/ano. Fonte: prospecto.

O fato é que o fundo desde 1970, tem conseguido superar o S&P500, sendo completamente gerenciamento de forma passiva. Mais uma prova que manter empresas por longo período de tempo é algo muito vantajoso.

voya

Este é um belo exemplo que o investidor pode selecionar os lideres de crescimento de dividendos atuais, e pacientemente segurar as empresas por gerações.

Como investidor de dividendo, aprendi que não devo vender uma empresa porque alcançou X% do seu valor, para o investidor de Buy and Hold não existe essa de “vou realizar lucro”. Quem pensa assim, está fazendo qualquer outra coisa, menos Buy and Hold.

Pra mim não faz sentido se livrar das empresas que estão melhor na sua carteira e que irão impulsionar o seu portfólio para frente, tanto em termos de crescimento de dividendos quanto em valorização de capital.

Investidores, como o fundo citado acima, ignoraram todos os modismos durante 78 anos e fizeram muito bem investindo em negócios que resistiram ao teste do tempo. Apenas 3 ou 4, se não me engano, das empresas originais foram a falência, veja aqui outro relatório do fundo.

Se você realmente parar para pensar sobre isso, investir passivamente no longo prazo é o melhor aliado do investidor. O tempo permite que você silenciosamente aumente seu capital apenas com os dividendos das blue chips de qualidades que pagarão mais dividendos ano após ano, basta você ignorar qualquer barulho, noticias que estimule você a tentar fazer algo, quando na realidade não há nenhuma necessidade de agir.

Conclusão

O fundo nos mostrou que manter um portfólio diversificado de empresas blue chips que pagem dividendos regularmente e conseguem se adaptar aos cenários econômicos é uma ótima maneira de se construir e manter sua geração de renda.

O grande sócio do Warren Buffett, Munger já dizia: “a coisa mais difícil que uma pessoa pode fazer é ficar sozinho sem fazer nada”. O fato é que somos constantemente bombardeados pela mídia econômica, órgãos, blogs, o mundo de modo geral em se tratando de investimentos acaba inclinando-nos a fazer algo, quando na realidade não é necessária nenhuma ação na maioria dos casos.

Dados do Voya Corporate

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Rentabilidade leva ao giro de patrimônio

Tempo leitura: 5 minutosbusiness-profitabilityRentabilidade é uma questão recorrente nos comentários e nas mensagens que recebo via e-mail e facebook, tanto que talvez esse seja um dos assuntos que mais expressei opinião aqui no blog, se não me engano esse é o terceiro artigo sobre o tema, já tivemos esse e esse.

Não é atoa que seja uma questão recorrente pois a maioria dos colegas da blogosfera que acompanho utilizam rentabilidade nos seus investimentos, nada contra pois cada um tem seu perfil de investimento, alguns tem um foco em trade outros fazem investimento para o curto prazo só que pra mim rentabilidade mais prejudica do que beneficia o investidor de longo prazo que busca uma renda passiva dos seus investimentos.

Nos últimos parágrafos vou falar um pouco mais sobre a rentabilidade, primeiro vamos entender uma de suas consequências que é o giro de patrimônio.

investindo-em-acoes-no-longo-prazo-a-biblia-do-mercado-de-acoes-para-o-investidor-de-longo-prazo-jeremy-j-siegel-8535230777_200x200-PU6e7a8485_1Quem acompanha o blog a mais tempo sabe que sou um grande seguidor da filosofia do Jeremy Siegel, inclusive sempre que possível recomendo a leitura de sua obra que pra mim é obrigatória à todos os investidores, o livro é um best-seller para investimentos.

Siegel fez junto com Schwartz um estudo em 2008 que intitulou de a “A ultima estratégia passiva de investimento” onde ele mostra o que ocorre com um investidor que tenha montado sua carteira com as empresas originais do índice SP500 de 1957 a 2003.

O investidor assume uma abordagem de investimento passivo total, onde se reinveste os dividendos, mantém as empresas que sofreram fusões e não faz qualquer reequilíbrio na sua carteira, simplesmente um básico Buy and Forget. Claro que no artigo foi algo didático, na pratica o investidor deve sim fazer revisões, ao menos anuais, e retirar aquelas que perderam eficiência.

Nos primeiros anos é natural que a carteira tenha um giro maior, visto a baixa experiência em escolher boas empresas, mas a medida que sua carteira vai aumentando e você vai conhecendo melhor o mercado a tendência é que sua carteira raramente se altere visto que seus critérios de escolhas serão mais refinados e saberá como escolher as empresas com os melhores cases de negocio.

Investimento passivo é excelente para o investidor de longo prazo

Interessante saber como um investimento totalmente passivo acabou superando o desempenho do SP500 durante o período de 46 anos.

passivo vs sp

Vale lembrar que durante esse período apenas 30 empresas faliram, 92 foram fundidas e 74 tiveram OPA.

Melhores desempenhos para empresas de consumo e farmacêuticas

A razão por traz disso é que essas empresas tem largos fossos competitivos, reforçada por fortes marcas que são frequentemente utilizadas pelos consumidores, lealdade de seus clientes aos produtos e o poder da precificação para manter o forte crescimento ao longo dos anos. Particularmente adoro esse tipo de empresa, não é atoa que minha carteira de investimento está repleta de empresas dessas industrias. A combinação dessas vantagens competitivas, preços e fidelidade da marca que resultam em retornos acima da média para os investidores.

top 20

Defensiva nos fim das contas compensam mais

O mais interessante é que investidores de empresas de crescimento lento, aquelas que os investidores tem expectativa baixa tendem a superar as empresas “glamourosas” nas industrias novas e excitantes. Isso porque as avaliações são geralmente baixas, e porque os investidores nas industrias mais populares do momento (aka industrias de tecnologia) tendem a aumentar as avaliações em busca de crescimento a partir de baixos retornos esperados.

SP 500 hoje em dia não é mais um índice passivo

Nesses últimos anos tenho investido em empresas americanas, especialmente as de crescimento de dividendos e sempre o pessoal fala sobre os ETFs, um dos motivos de não gostar muito desses investimentos é que nos dias de hoje índices como o SP500 não podem ser mais considerados um investimento passivo. A verdade é que o SP500 é um portifólio ativamente gerenciado, com volume de negócios frequente, onde novas empresas são frequentemente adicionadas quando suas avaliações são muito íngremes. Além disso os fundos de índices frequentemente precisam vender devido a ajustes, recompras, spin-offs e outras reorganizações.

Quando uma nova empresa é adicionada os investidores precificam antes mesmo dela ser adicionada ao índice, assim como fazem quando uma empresa tem um desempenho ruim e será retirada. Além disso as regras na composição desses ETFs mudam frequentemente e muitas vezes os investidores passivos por natureza não conseguem tomar tempo para aprender sobre elas. Enfim é um assunto bem complexo e abordarei sobre isso em posts futuros.

A lição mais importante para o investidor de longo prazo

A melhor lição que podemos tirar do estudo de Jeremy Siegel é que para conseguir o sucesso nos investimentos não precisa ser nenhum gênio, ou um mestre no valuation, basta escolher investimentos com bons fundamentos, construindo um portifólio diversificado, segurando essas empresas tanto nos momentos em que o mercado está em alta tanto quanto esteja em baixa e apenas ir reinvestindo os dividendos seletivamente.

O índice SP500 que constantemente adiciona novas empresas, foi muito ativo e não conseguiu fazer um melhor resultado do que um índice totalmente passivo. Os investidores que acreditam na rentabilidade e vivem a trocar de empresa em busca da que estiver no momento com a melhor performance, freqüentemente acabam fazendo muito mal no futuro. Por isso é importante para o investidor não ficar tentando seguir a bola da vez.

Tempo no mercado é mais importante que o sincronismo do mercado.

Tempo no mercado é importante, pois permite que os juros compostos façam a sua parte,. É importante manter suas ações vencedoras e não sucumbir ao tão falado reequilíbrio da carteira. É bem provável que algumas de suas ações com o tempo vai acabar indo mais de 1000% é por isso que vender mais cedo porque vislumbrou um pequeno lucro pode ser uma péssima escolha.

Buffett vendeu em 1999 suas ações do McDonalds (MCD) quando a ação estava em $35 – $40 dólares. As ações caíram para $12 dólares em 2003, antes de chegar a U$ 100 em 2011. O dividendo aumentou a cada ano durante o período, apesar de que o Mc Donalds teve alguns problemas operacionais em 2002-2003. Com efeito, Buffett perdeu essa grande oportunidade. Os grandes investidores podem nos ensinar mais ainda quando erram do que quando acertam.

Rentabilidade leva ao giro de patrimônio

Olhava a rentabilidade mês a mês e vi que isso estava me levando a girar o patrimônio, como verificamos acima investidores que giram patrimônio tendem a terminar com menos do que quando começaram. Ao acompanhar os resultados mensalmente acabava desejando realizar o lucro quando as ações estavam em alta e quando caia logo queria buscar outro investimento ou trocar algumas empresas.

Rentabilidade é como uma erva daninha, não existe aquela história de que vou acompanhar mas ela não vai me influenciar, está mais que comprovado o poder de subversão do subconsciente humano. Ficava todos os meses olhando esses números com o tempo sem perceber acabava sendo influenciado por eles, isso é natural, qualquer um que repita algo por um longo período de tempo vai acabar cedendo.

Tentava me auto sabotar dizendo pra mim mesmo que aquilo seria importante pra mim pois precisava de algo para acompanhar meu desempenho. Se não quero girar patrimônio pra que vou precisar de ficar acompanhando mensalmente a rentabilidade, então parei de controlar isso e comecei a fazer um levantamento anual.

Rentabilidade é uma das coisas que mais tira investidores da bolsa de valores, o ideal seria não olharmos para isso mas caso queira controlar sua rentabilidade recomendo a todos os investidores que tem o foco no longo prazo que façam num período anual, não somos nenhum fundo de investimento que precisa de prestar conta aos cotistas mensalmente.

 

 

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