PG O rei do dividendo que o mercado já cobrou adiantado – ago26

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Se tem uma empresa que o investidor de dividendos conhece de olhos fechados, é a Procter & Gamble. Tide, Pampers, Gillette, Pantene, Oral-B, Charmin — a P&G está no banheiro e na lavanderia de meia humanidade. Acaba de completar o 70º aumento consecutivo de dividendo e o 136º ano pagando. Pedigree não falta.

O fiscal 2026, porém, mostrou uma máquina sólida andando em primeira marcha. E o papel, perto de US$ 145, já cobra essa qualidade na íntegra.

Nossos dividendos

No ano passado, recebemos R$ 7.436,17 em ago/25. Tivemos um crescimento nos dividendos de 24% se considerarmos o câmbio, sem ele teríamos tido um crescimento de +63% sobre ano.

Isso deveu-se por conta do divórcio que causou uma redução na nossa liquidação do patrimônio que havia sido bem mais robustas nos meses anteriores.

Todo mês fico impressionado e satisfeito ao observar o resultado: mais um ciclo completo de reinvestimento e os dividendos continuam crescendo por conta própria. É o verdadeiro poder dos juros compostos em ação — uma bola de neve que começa pequena, mas, com o tempo, se transforma em uma avalanche de renda passiva. O gráfico abaixo é claro: paciência + reinvestimento = liberdade financeira cada vez mais próxima.

PROCTER & GAMBLE CO | PG

Procter & Gamble dispensa apresentações, fizemos vários posts sobre o seu caso aqui no blog, sendo mais recente essa compra do ano passado:

A PG é uma das empresas pioneiras aqui do blog, sobreviveu na minha carteira por todo esse tempo. A Stock foi comprada inicialmente em 2014 e desde então a ação subiu em 142%, mas obviamente não montei toda a posição naquela época. Hoje seguro ela com um retorno de +45% de ROI, mas com um IRR péssimo de apenas %3,26 ao ano.

A PG é uma ação defensiva e por conta disso vai entregar um retorno bem abaixo da média da minha carteira. Certamente hoje a PG não entraria na minha carteira por conta da minha regra de 12 por 24.

O case

A P&G vende marcas líderes em categorias de performance. Faturamento de US$ 87 bilhões, metade na América do Norte. Fabric & Home Care é 35% das vendas; Baby, Feminine & Family Care, 24%; Beauty, 19%. E-commerce já pesa 20%. O modelo vive de preço, produtividade e recompra — não de volume explodindo.

O que ainda impressiona

O caixa segue impecável. No FY26 saíram US$ 19,6 bilhões de fluxo operacional e mais de US$ 15 bilhões ao acionista (US$ 10,2 bi em dividendo + US$ 5 bi em buyback). ROE perto de 30%. Dívida total na casa de US$ 35 bilhões, caixa de quase US$ 10 bilhões. O índice combinado de juros — lucro operacional sobre despesa financeira — passa de 22x. A dívida existe. Não assusta.

A participação global saiu do ano estável e a China voltou a ganhar share. O dividendo, uns US$ 4,35 ao ano (yield perto de 3%), cabe folgado no FCF de cerca de US$ 15 bilhões.

O lado chato

Crescimento orgânico de 1% no ano — e veio inteiro de preço. Volume e mix, zero. Lucro operacional caiu 3%. Core EPS subiu só 1%, para US$ 6,89. No 4T a venda orgânica ficou flat; nos EUA o consumo subiu 2% e o sell-in caiu 1%.

Para 2027 o guidence de 1% a 3% de venda orgânica e core EPS de US$ 6,89 a US$ 7,11. No caminho, um vento contrário de US$ 1 bilhão após impostos (frete, energia, matéria-prima, Oriente Médio). O 1T deve vir com EPS pelo menos 5% abaixo. Tem ainda corte de marca e canal.

O consumidor troca marca nacional por marca própria. A compra da Thorne (suplementos, US$ 3,8 bi) tenta abrir o wellness premium, mas é pouco para mover um navio de US$ 87 bi.

Pagar uns 21x o lucro de 2027 por um negócio que cresce 1% a 3% é pagar o rei no preço de rei. O yield de 3% não é feio. Só deixou de ser irresistível.

O balanço na mesa

  • Receita: US$ 87,0 bi (+3%; +1% orgânico) — cresceu no preço, não no volume
  • Lucro líquido: US$ 16,0 bi (quase flat) — estável
  • Core EPS: US$ 6,89 (+1%) — buyback ajudou
  • ROE: ~30% — ainda de primeira linha
  • Índice combinado de juros: ~22x — dívida sob controle
  • FCF: ~US$ 15,2 bi — cobre o dividendo com folga
  • Dividendo: US$ 4,26 (+3%) — 70º aumento seguido

Então?

A tese clássica continua de pé: marcas, caixa e um histórico de dividendo que quase ninguém no S&P replica. O que mudou é o ritmo. Sem volume, o lucro depende de preço, produtividade e recompra. Funciona. Não empolga.

Para quem já tem, o papel segue âncora da carteira. Para quem quer entrar agora, a qualidade já está no preço. O rei do dividendo não quebrou. Só parou de oferecer margem de segurança de graça.

Dividendos recebidos

Empresa Ticker Dividendos
R$ 6.533,35 $ 1.288,63
GLADSTONE COMMECIAL CORPORATION GOOD 81,90
UDR INC UDR 8,56
CAPITAL SOUTHWEST CSWC 70,20
GLADISTONE CAPITAL GLAD 90,90
HORIZON TECHNOLOGY FINANCE HRZN 92,43
MAIN STREET CAPITAL MAIN 29,15
PROSPECT CAPITAL CORP PSEC 84,91
TRINITY CAPITAL INC TRIN 173,57
PROCTER & GAMBLE CO PG 26,12
PAYCHEX INC PAYX 196,35
WILLIAMS-SONOMA INC WSM 38,00
ZION BANCORPORATION NA ZION 128,64
HERCULES CAPITAL INC HTGC 267,90

Dividendos recebidos na Top Picks – XD

Empresa Ticker Dividendos
R$ 2.693,29 $ 531,22
TOP PICKS – REIT XDR 404,17
TOP PICKS – STOCK XDS 127,05

Total Geral: R$ 9.226,64

Acompanhe na página sobre Dividendos, as últimas atualizações dos rendimentos mensais, e veja como anda a evolução da minha carteira.

Veja como funcionam os dividendos no EUA.

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