Este blog foi criado com o objetivo de ajudar o pequeno investidor a viver de dividendos e encontrar informações relevantes sobre a bolsa de valores. Aqui, compartilho análises de empresas e de seus modelos de negócio, trazendo a minha visão sobre o mercado financeiro e mostrando como um pequeno investidor pode construir sua independência financeira no longo prazo.
Se você quer aprender mais sobre investimentos e entender o caminho para viver de dividendos, este é o lugar certo.
O blog possui três páginas principais:
- Carteira: mostra a composição da minha carteira de ações e FIIs. A página é atualizada sempre que realizo um novo aporte.
- Dividendos: apresenta quanto recebo mensalmente em dividendos. Ao acessar a página, é possível acompanhar em detalhes os valores recebidos ao longo do tempo.
- Orçamento: atualizado mensalmente, apresenta um balanço de quanto ganho e quanto gasto. Afinal, para construir patrimônio e alcançar bons resultados na bolsa, saber poupar é fundamental. Mais importante do que buscar retornos extraordinários é manter uma boa taxa de poupança e trabalhar continuamente para aumentar os aportes.
Agora um pouco sobre mim…
Abaixo você pode acompanhar um video contando um pouco sobre a minha história:
Meu objetivo nos investimentos é o longo prazo. Gosto de me concentrar em empresas de qualidade, com modelos de negócio sólidos e que já estejam no mercado há bastante tempo. Um dos meus critérios essenciais é que essas empresas possuam um bom histórico de crescimento de dividendos.
Uma empresa que conseguiu aumentar seus dividendos por mais de 10 anos transmite maior segurança sobre a qualidade e a resiliência do seu negócio. Quando falamos de empresas com 50 anos ou mais de crescimento consecutivo dos dividendos, estamos olhando para negócios que atravessaram a Guerra Fria, a Guerra do Golfo, a Bolha da Internet, a crise do subprime, recessões, períodos de inflação elevada e diversas outras turbulências econômicas. Se uma empresa conseguiu continuar crescendo durante tudo isso, provavelmente existe algo de muito sólido por trás do negócio.
Muitos investidores confundem a valorização das ações com a existência de um negócio próspero e saudável. Julgam a solidez financeira de uma empresa simplesmente pela alta ou pela queda de suas ações, esquecendo-se de que, no longo prazo, o verdadeiro motor do preço das ações é o crescimento dos lucros da empresa.
- Indicadores fundamentalistas para analisar empresas na bolsa
- Indicadores fundamentalista para analisar REIT
Por isso, analiso com bastante cuidado os modelos de negócio das empresas, seus fossos competitivos e a qualidade de sua governança. Mais do que acompanhar a cotação, quero entender se o negócio possui vantagens competitivas e fundamentos capazes de sustentar seu crescimento por muitos anos.
Como estou indo Viver de Dividendos…
Abaixo, apresento um pequeno resumo de como está sendo essa trajetória rumo à meta de viver de dividendos:
2012
Entrei novamente no mercado acreditando que o mais importante eram os dividendos pagos por uma empresa. Na época, assim como grande parte dos investidores, olhava basicamente para dois indicadores: P/L e Dividend Yield. Até hoje não sei dizer qual dos dois pode ser mais prejudicial quando analisado isoladamente.
A falta de conhecimento acabou me levando a concentrar todo o meu dinheiro na ELPL, que, naquele momento, apresentava um dos maiores Dividend Yields do mercado. Poucos meses depois, os lucros da empresa despencaram e, no ano seguinte, os dividendos foram cortados.
- Veja porque o DPA é mais importante que o DY: Escolha empresas pelo crescimento do DPA e não do DY
Foi uma das primeiras lições importantes que aprendi no mercado: um Dividend Yield elevado, sozinho, não significa que uma empresa seja um bom investimento.
2013
Pelo menos uma lição importante eu aprendi: nunca colocar todos os ovos em uma única cesta. Quanto menos você conhece o mercado e quanto menos tempo tem para acompanhar os balanços e estudar as empresas, maior deve ser a sua preocupação com a diversificação. Foi exatamente isso que comecei a fazer.
- Diversificação: 8 – Diversificação o que é e qual a quantidade ideal de ações que tenho que ter? #pp11
Passei a comprar diferentes empresas que considerava interessantes. Depois de ler alguns livros de análise fundamentalista, comecei a enxergar o mercado de outra forma e passei a dar mais atenção a fundamentos como histórico de lucratividade, margens e nível de endividamento.
- Como analisar o endividamento de uma empresa na bolsa: Como analisar o endividamento de uma empresa
Mesmo assim, ainda cometi uma série de erros. Não analisava adequadamente o modelo de negócio das empresas, seus fossos competitivos e muito menos a qualidade da governança. Quando o mercado brasileiro entrou em queda e a economia enfraqueceu, várias empresas que eu havia comprado sofreram bastante.
Nesse momento, a diversificação mostrou seu valor. Algumas escolhas deram errado, mas, por não ter mais todo o patrimônio concentrado em uma única empresa, consegui reduzir o impacto desses erros sobre a carteira.
2014
Fui retirando da carteira as empresas que considerava mais frágeis ou cujos negócios haviam se deteriorado diante das dificuldades econômicas do país. Nesse período, resolvi também começar a investir no exterior. Passei a estudar o mercado americano, abri minha conta em uma corretora e comecei a fazer remessas ao exterior. Alguns meses depois, conheci melhor as empresas com histórico de crescimento de dividendos e passei a estudá-las com mais profundidade.
Aos poucos, fui modificando minha carteira nos Estados Unidos para incluir empresas com essas características. Como ainda conhecia pouco o mercado americano, optei inicialmente por uma carteira bastante diversificada. A ideia era aprender, acompanhar os negócios e, com o tempo, retirar as empresas que apresentassem sinais de deterioração, assim como havia feito no mercado brasileiro, até chegar mais próximo daquilo que considero uma carteira ideal.
Adotei essa estratégia porque sempre parti do princípio de que eu cometeria erros ao longo do caminho. Como eu já tinha certeza de que acabaria escorregando em algumas escolhas, preferi assumir minha ignorância e usar a diversificação como proteção enquanto adquiria experiência.
2015
Finalizei a montagem da minha carteira de ações americanas e, pela primeira vez, minha renda de dividendos no exterior ultrapassou a marca de R$ 1 mil por ano.
- Porque investir em ações de dividendos: Ações de Crescimento vs Dividendos
Terminei aquele ano com 24 empresas americanas na carteira e deixei para o ano seguinte um processo mais criterioso de revisão dos ativos selecionados.
Nesse período, também comecei a fazer um Trade de Valor com a Manhattan. Estava disposto a assumir um pouco mais de risco em uma parcela dos meus investimentos, e os resultados desse Trade de Valor foram excelentes.
Nesse tipo de investimento, é importante conseguir identificar um bom momento para entrar, mas descobri que o mais difícil é saber a hora certa de sair. Decidi encerrar minha posição na Manhattan e aguardar algum tempo antes de iniciar um novo Trade de Valor.
Aquele ano também foi marcado por algo muito mais importante do que qualquer investimento: o nascimento da minha filha Laura. Sua chegada mudou completamente nossas vidas e nos fez reformular muitos dos nossos planos e objetivos de curto e longo prazo. Era algo que já vínhamos planejando desde o ano anterior e, para nossa felicidade, ela chegou em 2015.
2016
Com a carteira de ações montada, começou um novo desafio: construir minha carteira de REITs. Logo no início do ano, comecei a selecionar e comprar os ativos que fariam parte dela. Doze meses depois, a carteira estava estruturada com 12 REITs.
- Como analisar REITs: Indicadores fundamentalista para analisar REIT
Nesse mesmo período, também fiz uma revisão da minha carteira de ações americanas. Depois de retirar alguns ativos que considerava problemáticos, decidi incluir algumas empresas europeias. A ideia era manter uma exposição pequena, provavelmente com cinco ativos ou menos. Ao final do ano, minha carteira de ações contava com 17 empresas.
Também precisei vender todos os meus ativos no Brasil, pois estava iniciando um processo de imigração para a Europa. Contei um pouco mais sobre essa decisão neste post.
A principal motivação para imigrar para a Europa foi proporcionar melhores condições e qualidade de vida para minha filha. Eu e minha esposa sabíamos que pagaríamos um preço alto por essa decisão no curto prazo, mas acreditávamos que todo esse sacrifício poderia ser recompensado no futuro, se tudo desse certo.
Imigrar para outro país está longe de ser fácil. Existem as diferenças culturais, a barreira do idioma, as mudanças na alimentação e inúmeras outras dificuldades. É preciso sair completamente da zona de conforto e, em muitos aspectos, começar a vida praticamente do zero.
No nosso caso, essa decisão se tornava ainda mais difícil porque não tínhamos uma condição de vida ruim no Brasil. Quando você já possui uma vida relativamente confortável, o comodismo pesa bastante na hora de abrir mão do que construiu e enfrentar todas as incertezas de um novo começo.

Por conta da imigração, pela primeira vez meu patrimônio investido no mercado acionário terminou o ano abaixo do ano anterior. O pensamento que nos motivava era simples: estávamos fazendo um sacrifício naquele momento para buscar uma qualidade de vida melhor no futuro, tanto para nós quanto para nossa família. Com isso em mente, resolvemos colocar o plano em prática.
Como se a imigração já não fosse uma mudança grande o suficiente, também resolvi fazer mais uma fusão na minha empresa. Contei mais sobre essa história neste post.
Sim, sou completamente louco. Às vésperas de iniciar um processo de imigração para a Europa, resolvi transformar novamente a empresa e assumir mais um grande desafio como empreendedor e administrador. Além de lidar com todas as mudanças da vida pessoal, passei também a enfrentar o desafio de administrar a empresa remotamente.
Essa experiência acabou rendendo uma série aqui no blog chamada Meu negócio. Agora, vocês que já acompanham há bastante tempo minha trajetória nos investimentos também poderão conhecer um pouco dos desafios, decisões, erros e obstáculos que fazem parte da minha vida profissional.
2017
Começamos o ano focados em retomar o processo de visto para a Alemanha. Dessa vez, porém, resolvemos trabalhar com planos em paralelo. Enquanto tentávamos uma nova estratégia para conseguir a residência na Alemanha, decidimos iniciar também o processo de autorização de residência em Portugal.
Retornamos ao Brasil no início de janeiro e demos entrada no processo português, que avançou rapidamente. Em março já estávamos com tudo pronto e, em maio, chegamos a Portugal. Moramos lá durante quatro meses até que, finalmente, seguimos para a Alemanha.
Nossa estratégia para conseguir permanecer na Alemanha havia mudado. Dessa vez, adotamos um caminho semelhante ao utilizado por muitos imigrantes no Canadá: ingressar em uma faculdade, obter o visto de estudante e, posteriormente, buscar uma oportunidade no mercado de trabalho que possibilitasse a mudança para um visto de trabalho.
Uma das grandes vantagens da Alemanha era o acesso ao ensino superior público. Mesmo sendo estrangeiro, era possível estudar em determinadas universidades sem pagar mensalidades. Minha esposa foi aceita no curso de Logística e, com isso, conseguimos nossa autorização de residência na Alemanha, que precisaria ser renovada periodicamente.
Depois da conclusão do curso, teríamos um período para buscar emprego e tentar a transição para um visto de trabalho. Esse era o nosso plano principal, mas, dessa vez, já tínhamos um plano B preparado caso as coisas não saíssem como esperávamos.
Em relação à adaptação, gostamos muito de Portugal. Para morar, naquele momento, eu considerava o país até mais agradável do que a Alemanha. O grande problema era o mercado de trabalho. Estávamos vivendo na Alemanha, mas nada nos impediria de voltar para Portugal depois da conclusão do curso, principalmente porque tivemos uma experiência muito boa por lá.
Por outro lado, também existia a possibilidade de, com o passar do tempo, nos adaptarmos melhor à Alemanha. A Laura não conseguiu uma vaga na creche e provavelmente começaria a estudar apenas no ano seguinte. Isso trazia outra preocupação, pois ela precisaria enfrentar ao mesmo tempo a adaptação à escola e a um novo idioma. Acreditávamos que ela se adaptaria rapidamente, mas criança é sempre uma caixinha de surpresas.
Na empresa, também tivemos um ano bastante movimentado. Começamos a desenvolver um plano de expansão baseado em franquias e lançamos novos produtos importantes voltados para os setores de restaurantes e postos de combustíveis, sendo este último ainda em caráter experimental.
Praticamente concluímos a estruturação da nossa equipe de desenvolvimento e deixamos para o ano seguinte alguns ajustes importantes na equipe de suporte. Estávamos bastante motivados com o crescimento da empresa. Conseguimos ampliar nossa carteira de clientes e iniciamos um grande processo de migração para a nova versão do sistema.
Era um projeto de longo prazo, iniciado em meados de 2017, que provavelmente seguiria até o final de 2018 e, possivelmente, avançaria para 2019.
2018
Na questão da imigração, seguimos na Alemanha. Chegamos a passar por alguns momentos em que cogitamos retornar para Portugal, mas acabamos decidindo permanecer por aqui. Neste ano, parece que finalmente começamos a nos adaptar melhor ao jeito alemão de viver.
Praticamente terminamos de mobiliar nosso apartamento e compramos nosso primeiro carro na Alemanha. Como ainda não tínhamos renda no país, precisamos desembolsar todo o valor à vista.
Em relação à Laura, eu estava bastante preocupado com sua adaptação à creche, mas, para minha surpresa, tudo aconteceu de forma muito tranquila. Ela já entende alemão, embora ainda não tenha começado a falar o idioma com frequência. A cada dia que passa na creche, porém, volta para casa falando algumas palavras novas. Ela ainda fica um pouco tímida para falar alemão na nossa frente, mas, como passo boa parte do dia com ela, de vez em quando a vejo brincando com suas bonecas e falando em alemão. É muito interessante acompanhar de perto essa evolução.
No blog, encerramos a parceria com a PenseRico e lançamos nosso próprio serviço de assinatura. O Ex-Dividend surgiu com o objetivo de ajudar outros investidores a aprender a analisar empresas do mercado americano e servir como uma base de apoio para quem deseja construir uma carteira de ações sólida nos Estados Unidos.
Esperava alcançar a marca de 3 milhões de acessos no blog neste ano, mas parece que esse objetivo ficará para o próximo. Quem sabe não venha acompanhado também do primeiro milhão na carteira de investimentos.
Na empresa, tivemos nosso maior crescimento com o projeto de expansão por meio de franquias, chegando a mais de 90 representantes da nossa marca espalhados pelo território nacional.
Com o processo de expansão avançando e os impactos da fusão anterior começando a diminuir, partimos em busca de uma nova oportunidade de aquisição. Tentamos realizar uma fusão com um concorrente de uma região próxima à nossa, mas, depois de muitas negociações, o acordo acabou não avançando.
Também começamos a enfrentar alguns problemas no setor de suporte, que se tornou nossa área mais desafiadora naquele momento. Por outro lado, conseguimos ajustar bem a equipe de desenvolvimento, que passou a funcionar de maneira muito mais eficiente. As áreas comercial e financeira também estavam bem estruturadas.
Ficou para o ano seguinte o desafio de melhorar a operação do suporte e reduzir as reclamações dos clientes. De certa forma, esses problemas eram compreensíveis diante do rápido crescimento da nossa carteira de clientes. A expansão aconteceu em pouco tempo, enquanto formar profissionais qualificados para a área de suporte exigia muito mais tempo e preparação.
2019
Foi um ano de grandes mudanças, começando pela nossa casa. A Laura estava perto de sair da creche e entrar na escola. Na Alemanha, a escola pública que a criança frequenta está diretamente relacionada à região onde a família mora. Por isso, a escolha do bairro também teria impacto na educação dela.
Diante disso, tínhamos basicamente duas estratégias. A primeira era continuar morando em Duisburg e colocar a Laura em uma escola internacional. Ela teria acesso a uma boa educação, mas, na minha visão, teria menos oportunidades de construir vínculos de longo prazo na Alemanha. Essas escolas recebem muitas famílias de trabalhadores temporários e existe uma rotatividade maior de alunos, já que os pais frequentemente precisam se mudar para outras cidades ou países.
A segunda opção era nos mudarmos para Düsseldorf, uma das melhores cidades da região. Optamos por esse caminho e conseguimos morar em um dos melhores bairros da cidade. Quando chegasse o momento de a Laura entrar na escola, ela teria a possibilidade de estudar em uma das melhores escolas da região e, quem sabe, até em uma das melhores da Renânia do Norte-Vestfália.
Com a mudança, a Laura também precisou trocar de creche. Felizmente, conseguimos uma creche que consideramos muito melhor do que a anterior, em Duisburg. Naturalmente, toda essa melhora na nossa qualidade de vida veio acompanhada de um custo bem mais alto. Os aluguéis na região são elevados, e basta olhar meus controles de orçamento daquele ano para perceber o salto nas despesas com moradia.
Na empresa, começamos a desenhar mais uma parceria. Outra empresa se juntou a nós, trazendo sua carteira de clientes, enquanto nosso projeto de expansão nacional continuava avançando e apresentando bons resultados.
As coisas estavam caminhando bem e entramos em um forte ritmo de contratação. Enquanto boa parte do mercado enfrentava uma crise, nós vivíamos um dos melhores momentos da empresa. O crescimento foi tão significativo que começamos a planejar a construção de uma nova sede.
Esse seria um investimento considerável. Compramos um terreno por cerca de R$ 500 mil e estimávamos que a construção consumiria, no mínimo, quase R$ 1 milhão. Apesar do investimento elevado, acreditávamos que faria sentido no longo prazo, principalmente porque um espaço semelhante poderia representar algo próximo de R$ 40 mil em despesas com aluguel.
No blog, iniciamos uma nova parceria com uma nova corretora, abrimos milhares de contas nessa nova corretora parceira. O projeto parecia bastante promissor e nossa ideia era ampliar os conteúdos sobre o mercado americano, além de apresentar novas possibilidades para quem desejava investir no exterior.
O Ex-Dividend também continuava crescendo, com cada vez mais assinantes acompanhando nossa carteira trimestre após trimestre. Os resultados que vínhamos alcançando por lá também eram excelentes, reforçando nossa confiança no projeto.
2020
Pegamos uma pandemia pela frente, algo que jamais imaginávamos viver. A Covid-19 virou tudo de cabeça para baixo. Na bolsa, enfrentamos uma queda brutal, com circuit breakers sendo acionados diversas vezes em um curto espaço de tempo.
Nosso patrimônio havia ultrapassado a marca de R$ 1 milhão pela primeira vez, mas recuou fortemente durante a crise, chegando próximo dos R$ 800 mil. O desespero tomou conta de muitos investidores. Como não era o primeiro bear market que eu enfrentava, procurei manter a calma e tomei algumas decisões importantes que, posteriormente, contribuíram para um salto significativo no meu patrimônio.
Os governos adotaram lockdowns e acompanhei tudo isso da Alemanha. Para mim, foi um período extremamente tenso, principalmente porque comecei a ver diversas empresas fechando, inclusive negócios de clientes que eu conhecia pessoalmente. Para se ter uma ideia da dimensão do problema, cerca de 80% do pequeno comércio da minha cidade utilizava nosso sistema. Antes da pandemia, registrávamos aproximadamente 15 cancelamentos de contratos por mês relacionados a empresas que haviam encerrado suas atividades. Durante o pior momento da crise, chegamos a registrar 15 cancelamentos por semana.
Toda essa tensão também acabou afetando minha saúde. Tive uma crise muito forte na coluna, provavelmente a pior que já havia enfrentado. Em determinado momento, cheguei a cair na banheira e não conseguia me levantar porque minhas pernas simplesmente não respondiam. Procurei um médico na Alemanha e, segundo ele, minha hérnia não era tão grave, mas eu estava extremamente tenso. Fiz algumas sessões de acupuntura a preço de ouro :) e, felizmente, funcionou.
No auge da crise, bateu o desespero. Ninguém sabia quanto tempo aquela situação duraria ou qual seria o verdadeiro impacto sobre a economia. Como medida preventiva para enfrentar uma possível crise prolongada, decidimos iniciar o processo de desligamento de cerca de um terço dos nossos funcionários. Tomar aquela decisão foi um dos piores momentos da minha vida como empresário.
Enquanto esses funcionários cumpriam o aviso prévio, começamos a entender melhor o impacto real do lockdown sobre nossa operação. Felizmente, ele acabou sendo menor do que imaginávamos. Tínhamos muitos supermercados entre nossos clientes, que continuaram funcionando, além de uma presença significativa em cidades do interior das regiões Norte e Nordeste, onde parte das atividades comerciais permaneceu funcionando.
Com isso, conseguimos reverter a decisão e nenhum desses funcionários precisou ser efetivamente demitido.
A empresa conseguiu se adaptar rapidamente e, olhando apenas para o aspecto financeiro, acabamos tendo bons resultados durante a pandemia. Uma das principais razões foi o crescimento do delivery. Alguns anos antes, eu já vinha acompanhando essa tendência e havíamos desenvolvido um produto próprio voltado para esse mercado. Durante a pandemia, aprimoramos a solução e conseguimos aumentar bastante suas vendas. Foi mais uma demonstração de como, no mundo empresarial, é preciso estar preparado para se adaptar rapidamente às mudanças.
Na parte do blog, a situação foi bem diferente. Na minha percepção, Google, Instagram e Twitter reduziram significativamente o alcance dos meus conteúdos durante aquele período. Eu publiquei diversas opiniões críticas sobre as políticas adotadas durante a pandemia, especialmente em relação aos lockdowns, ao uso de máscaras, às vacinas e à atuação de governos, da mídia e das grandes empresas de tecnologia.
Independentemente das razões por trás da redução de alcance, o Viver de Dividendos passou a depender muito mais da divulgação boca a boca. Desde então, essa acabou se tornando uma das principais formas de novos leitores chegarem ao blog.
2021
Depois da pandemia de Covid, senti que havia chegado o momento de tomar algumas decisões importantes que provocariam um verdadeiro turnaround na minha vida pessoal.
Sem dúvida, a maior mudança foi o divórcio com a Tatiane. Contei um pouco mais sobre esse período neste post de fechamento anual. Minha maior preocupação durante todo o processo era a Laura e como ela lidaria com tantas mudanças. Desde então, tenho procurado estar o mais presente possível na vida dela durante essa nova etapa.
Em março, decidi retornar ao Brasil e dei início ao meu processo de repatriação. Precisei procurar uma nova casa e praticamente começar do zero novamente, mobiliando todo o apartamento. Naturalmente, essa mudança teve um impacto considerável nas minhas finanças. Uma semana depois do divórcio comecei um novo relacionamento com a Evelyn e cerca de três meses depois casamos.
Na empresa, também retomamos a construção da nova sede. A obra havia começado em 2019, mas foi suspensa em 2020 por conta da pandemia. Naquele ano, finalmente retomamos o projeto com força total.
Somente com a obra, foram aproximadamente R$ 650 mil em gastos durante o ano. Somando esse investimento aos custos da separação e da divisão patrimonial, chegamos, pela primeira vez desde que comecei a registrar minha evolução financeira, a uma taxa de poupança negativa.
Foi um ano em que boa parte do patrimônio precisou financiar grandes mudanças na minha vida pessoal e profissional. Abaixo está o histórico dos nossos aportes ao longo do período:

Apesar dos altos gastos ao longo do ano, a bolsa não nos decepcionou e nossa estratégia de investimentos se mostrou, mais uma vez, eficaz. Mesmo diante de tantas mudanças e retiradas de capital, chegamos muito perto da marca de R$ 2 milhões em patrimônio, alcançando R$ 1,9 milhão pela primeira vez em dezembro daquele ano.
Também resolvi fazer uma boa limpeza no blog. Tínhamos muito conteúdo carregando na página inicial, então comecei a simplificar sua estrutura e pretendo continuar esse processo nos próximos anos. Também retirei as propagandas de parceiros, encerrando uma fase importante da história do blog.
Minha ideia para o longo prazo é tornar tudo por aqui mais simples e minimalista, com o foco cada vez maior no conteúdo. Quero concentrar meus esforços nos temas que realmente considero relevantes e que possam agregar algo a quem acompanha minha trajetória.
Como vocês já devem ter percebido, mudanças nunca faltaram por aqui. Seja nos investimentos, na empresa ou na vida pessoal, parece que a única constante na minha vida é justamente a inconstância.
2022
Minhas finanças sangraram bastante neste ano, principalmente por conta da construção da nova sede de uma das minhas empresas, a software house que considero meu principal projeto de vida. Ao todo, investimos cerca de R$ 2 milhões no novo QG. Foi um investimento pesado, mas necessário para criar uma estrutura capaz de sustentar o crescimento da nossa operação nos próximos anos. Finalmente, em dezembro, inauguramos a nova sede e encerramos esse período de grandes desembolsos e taxas de poupança negativas.
No blog, acabei permanecendo no WordPress. Estava planejando migrar para um sistema de gerenciamento de conteúdo mais moderno, baseado principalmente em arquivos de texto. Diante da complexidade da migração, resolvi seguir por outro caminho. Trabalhei na melhoria do template, otimizei o carregamento das páginas e continuei utilizando o WordPress.
Na vida pessoal, continuei visitando minha filha Laura na Alemanha e procurei melhorar minha qualidade de vida como um todo. Foi um ano muito mais de consolidação e preparação, criando as bases para voltar a fazer novos movimentos no ano seguinte.
Nos investimentos, alcançamos uma marca muito especial: completei 10 anos na bolsa desde que retomei minha jornada, em 2012. Foi um longo caminho e, desde então, mantive religiosamente a disciplina de realizar aportes mensais. Esses aportes foram o principal combustível para que eu conseguisse superar a marca de R$ 1 milhão em patrimônio investido.
- Porque os aportes são tão importante: Rentabilidade VS Aportes
Durante esse período, precisei realizar diversos desinvestimentos para bancar os gastos com a obra da nova sede, o que acabou deixando meu patrimônio praticamente estacionado por algum tempo. Ainda assim, mantive uma excelente taxa de retorno, com vários ativos já tendo proporcionado ganhos superiores a 100% sobre o valor inicialmente investido.
Tem sido uma longa trajetória na bolsa, mostrando que um pequeno investidor que começou com apenas R$ 1 mil em economias pode, com tempo, disciplina e aportes constantes, alcançar o primeiro milhão.
Ao longo dos anos, este blog acabou se transformando em uma espécie de diário. Um registro, mês a mês, da minha trajetória rumo à independência financeira. Ele nasceu com a intenção de servir como uma bússola para meus filhos, para que, no futuro, pudessem entender como começar sua própria jornada no mundo dos investimentos.
No meio desse caminho, percebi que essa experiência também poderia ajudar outras pessoas. Por isso, continuo compartilhando aqui meus erros, acertos, investimentos e aprendizados, na esperança de ajudar outros pequenos investidores a percorrer seu próprio caminho até alcançar o objetivo de Viver de Dividendos.
2023
Comecei o ano com uma boa taxa de poupança. Finalmente estávamos livres dos gastos com a construção da nova sede, o que me permitiu voltar a aportar com bastante força na bolsa nos primeiros meses.
Por volta de agosto, surgiu uma nova oportunidade e entrei em uma fábrica que possuía uma rede de franquias. Na prática, ainda não havíamos concluído a aquisição. Firmamos um acordo de exploração comercial pelo período de um ano, com uma opção de compra ao final.
O negócio, porém, não se mostrou aquilo que havia sido prometido. Conforme fomos conhecendo melhor a operação, percebemos que não fazia sentido seguir com a aquisição. Decidimos encerrar a negociação e devolver a empresa antes mesmo do prazo previsto, ainda em dezembro daquele ano.
Essa experiência acabou sacrificando bastante minha taxa de poupança e exigiu uma reorganização dos investimentos. Para levantar capital, precisei liquidar minha carteira de Trade de Valor. Depois que encerramos a operação com a fábrica, voltei a aportar com mais força na bolsa e iniciei novamente a construção da minha carteira de Trade de Valor.
Nos investimentos, conseguimos manter nosso patrimônio oscilando entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,8 milhão. O resultado foi bastante influenciado pela queda do dólar ao longo do ano e também pelo desempenho mais fraco da bolsa americana em meio ao forte aumento das taxas de juros nos Estados Unidos.
Na vida pessoal, as coisas seguiram bem, sem grandes reviravoltas. Continuei viajando frequentemente para visitar a Laura na Alemanha. Passei a dividir boa parte do meu tempo entre os dois países, ficando alguns meses no Brasil e outros na Alemanha, praticamente metade do ano em cada lugar.
2024
Nosso patrimônio praticamente deu um salto nesse ano. Fechamos dezembro com R$ 2,739 milhões, um crescimento de mais de R$ 1,348 milhão em apenas 12 meses. Foi um avanço expressivo, praticamente dobrando o patrimônio em relação ao início do período.
E não foi apenas o patrimônio que cresceu. Nossa renda passiva também avançou bastante e alcançamos a marca de R$ 80 mil recebidos em dividendos ao longo do ano.
O blog também atingiu um marco importante: 30 milhões de acessos. A cada ano, vínhamos registrando um crescimento significativo no número de visitantes. Em uma internet cada vez mais dominada por conteúdos em vídeo e áudio, conseguir levar um blog essencialmente de leitura a essa marca é algo que considero realmente impressionante.
Nossa carteira de Trade de Valor, criada com o objetivo de comprar um Porsche, continuava avançando, apesar de termos feito uma retirada no meio do caminho para comprar nossa Mercedes. Liquidei minha posição na Tesla com um bom lucro e utilizei parte do dinheiro para quitar o carro.
Também conhecemos melhor as Business Development Companies (BDCs) e começamos a construir uma nova carteira aqui no blog dedicada exclusivamente a essa classe de ativos.
- Para entender melhor o que são BDCs: BDC: guia completo para investir e lucrar
Nos negócios, decidi concentrar cada vez mais minha atenção em empresas de software B2B, uma área na qual já acumulava bastante experiência. Comecei diversos projetos de SaaS, alguns em parceria com outros empresários e outros de forma independente. Também abri uma nova empresa nos Estados Unidos.
Além disso, criamos uma desenvolvedora de negócios, uma empresa com o objetivo de criar, desenvolver e impulsionar novos projetos empresariais.
Na vida pessoal, a Laura estava entrando na reta final para o Gymnasium na Alemanha. Confesso que fiquei bastante tenso com essa etapa, pois o sistema educacional alemão começa a direcionar os alunos para caminhos acadêmicos diferentes, e essa transição poderia ter um impacto importante nas oportunidades educacionais dela no futuro.
Também comecei a me exercitar com mais frequência e a cuidar melhor do peso, principalmente para tentar evitar novas crises na coluna. Afinal, todo programador que se preze precisa ter uma hérnia ferrada. Se não tiver, é porque não está trabalhando direito. :)
Naquele ano, também começou outra mudança importante na minha vida pessoal. Em novembro, eu e Evelyn decidimos que seguiríamos caminhos separados no início do ano seguinte, depois da nossa viagem de fim de ano.
Por fim, comecei a viajar com mais frequência. Depois de tantos anos concentrado em trabalho, empresas e investimentos, percebi que estava na hora de buscar um pouco mais de equilíbrio entre construir patrimônio, trabalhar e também aproveitar a vida.
2025
O blog chegou à marca de 32 milhões de acessos, enquanto nosso patrimônio alcançou R$ 3,324 milhões, um crescimento de pouco mais de meio milhão de reais em relação ao ano anterior.
Esse resultado ganha ainda mais relevância quando considero que, ao longo do período, precisei liquidar cerca de R$ 656 mil do patrimônio por conta do primeiro divórcio. Sem essa retirada, teríamos novamente superado a marca de R$ 1 milhão de crescimento patrimonial em um único ano.
Nossa taxa de crescimento nos últimos cinco anos, desde que alcançamos o primeiro milhão, foi de 207%. Um resultado que considero impressionante e que mostra como o crescimento patrimonial começou a acelerar depois de tantos anos de aportes e reinvestimentos.
Nossa carteira de Trade de Valor também ganhou um novo objetivo. O plano de comprar um Porsche ficou para trás e agora a meta é comprar um apartamento em Miami. A carteira também apresentou um crescimento considerável, saindo de aproximadamente R$ 267 mil no início do ano para fechar em R$ 656 mil.
- Agora o Trade de Valor é para um apartamento em Miami: Miami – Trader de Valor #35
Nossa taxa de poupança também bateu recorde no ano. Além disso, fizemos um vídeo explicando a importância de utilizar os dividendos como uma métrica de independência financeira. Chegamos ao ponto em que nossa renda de dividendos seria suficiente para cobrir 32% de todas as nossas despesas.
- Entenda a importância de cobrir despesas com dividendos: Cobrir despesas com dividendos
Nos negócios, iniciei uma nova empresa voltada ao desenvolvimento de soluções com inteligência artificial. O mercado de SaaS B2B vem ficando cada vez mais competitivo, principalmente pelo aumento significativo da oferta de soluções. Por isso, resolvemos explorar uma nova frente. Dediquei boa parte do ano à estruturação desse negócio e minha expectativa é que, dentro de dois ou três anos, consigamos atingir o ponto de equilíbrio e começar a gerar lucro.
Mas, apesar de todos esses avanços financeiros e profissionais, a maior mudança do ano aconteceu na minha vida pessoal.
Foi nesse ano que conheci a mulher da minha vida e ainda fui agraciado por Deus com a chegada de um novo filho. Um dos pontos de divergência no meu segundo casamento era justamente o desejo de ter mais filhos. Esse sentimento começou a crescer em mim por volta da metade do ano anterior e acabou se tornando algo cada vez mais importante.
Conheci a Liza em julho e começamos a namorar. Nossa relação avançou rapidamente e, cerca de um mês depois, já estávamos morando juntos e começamos a organizar nosso casamento. Pouco tempo depois de nos casarmos, descobrimos que ela estava grávida. A notícia chegou justamente no dia em que eu embarcaria para Miami, onde pretendia permanecer por dois meses. Naturalmente, os planos mudaram e acabei antecipando meu retorno.
O Nick nascerá no próximo ano e tenho certeza de que será uma bênção de Deus para nossas vidas. Hoje, considero os filhos uma das maiores dádivas que podemos receber.
Durante muito tempo, pensei de maneira completamente diferente. Não queria ter filhos e, depois que a Laura nasceu, passei anos acreditando que uma filha já seria suficiente. Com o passar do tempo, porém, algo mudou dentro de mim. Sem que eu estivesse planejando, surgiu novamente um desejo muito forte de ser pai. Algumas pessoas poderiam chamar isso de intuição. Eu prefiro enxergar como um propósito divino.
A Liza tem sido uma esposa sensacional e superou muitas das expectativas que eu tinha para um relacionamento. Eu vinha orando a Deus e pedindo que colocasse uma boa pessoa na minha vida. Mais uma vez, sinto que Ele conseguiu superar aquilo que eu imaginava.
Tudo isso também me fez refletir bastante sobre aprender a estar satisfeito e ser grato pelo que Deus nos deu. É algo que tenho levado cada vez mais para outras áreas da minha vida, inclusive para a forma como enxergo a mim mesmo, minha família e aquilo que realmente considero importante.





