Bullshit jobs – esse é seu emprego!

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bullshit jobs
bullshit jobs

O antropólogo americano David Graeber publicou recentemente uma tese de que mais de um terço dos postos de trabalho são desnecessários. Assim, ele acha que as atividades não manuais poderiam ser assumidas por robôs. Como tarefas de escritório, alguns setores de serviço, consultorias, financas, administração, recursos humanos entre tantos outros.

O que ele chama de “bullshit jobs“. São aqueles empregos que ninguém notaria se eles desaparecessem de um dia para o outro. Ele baseou a sua tese em auto-relatos de funcionários que executavam esses postos de trabalho.

Ele constantemente encontrou pessoas que estavam relutantes em discutir o que faziam durante todo o dia, porém algumas bebidas depois, eles entregavam que não faziam nada significativo.

Sentados em reuniões, apresentações, que ninguém precisava. Escrevendo relatórios de avaliação, que eram imediatamente esquecidos. Ou eles passavam metade do dia no Twitter, Facebook ou Youtube.

Imagina como não deve estar agora em 2018 !?!?!

Esses dias encontrei com um amigo, ele me disse exatamente a mesma coisa. Estava cansado do setor corporativo e queria buscar alguma coisa nova para empreender. Eu questionei-o, mas você tem um bom emprego, tem certeza disso? A sua resposta, foi que ele não estava feliz no trabalho, porque chegava no final do dia e ele percebia que só tinha executado bullshit job.

Graeber indicou inúmeros empregos que você poderia pensar em acabar que geraria uma economia e uma melhor administração e que ninguém notaria a sua falta.

Se os médicos e enfermeiros, cozinheiros e encanadores, professores e lixeiros desaparecerem, logo todos nós perceberíamos. Mas o departamento de relação públicas das universidades e empresas? Os lobistas? Consultores? Aquele gerente puxa saco do seu setor ? E muitos outros empregos que não agregam em nada no final das contas. Se todos eles sumissem ninguém sentiria falta.

E essa teoria pode ser vista em várias empresas da bolsa, você vê que tem empresas com quadros gigantesco de funcionários que não havia necessidade. Manchete como essas são repetidas todas as vezes quando ume empresa entra em dificuldades.

Isso foi ha 4 anos atrás.

O mercado acaba entrando numa bola de neve de contratações. Em grandes empresas, o status dos gerentes, depende de quantos outros gestores estão abaixo de você. O crescimento da empresa acaba forçando trazer mais e mais pessoais que são responsáveis pela coordenação e comunicação.

Veja só um outro exemplo, esses dias o Evernote, uma empresa responsável por um aplicativo que faz uma única tarefa: gerenciar notas. Eu utilizo-o a muito tempo e o aplicativo é bom. O Evernote anunciou que estaria demitindo 54 funcionários, que equivaleria a 15% da sua força de trabalho. Fazendo o calculo reverso chegaríamos ao montante de 360 pessoas trabalhando na empresa.

Sinceramente um aplicativo que executa uma única função precisar de 360 pessoas, ou o administrador é muito incompetente ou está repleto de bullshit jobs lá dentro.

Agora porque uma empresa não vai se auto-gerenciando e buscando cortar essas arestas evitando que a coisa perca o controle. Porque os administradores só resolvem demitir quando a crise chega. O certo seria evitar de contratar mão de obra desnecessária.

Mudanças sentimento nos postos de trabalho de 1950-presente.

Tem um Paper muito interessante do Greg Kaplan e Sam Schulhofer, confira aqui a fonte. Eles fizeram um levantamento sobre o sentimento das pessoas sobre o trabalho desde a II Guerra Mundial até hoje. E percebeu-se que as pessoas não iam mais ao trabalho apenas para ganhar um salário. As pessoas estão buscando cada vez mais se identificar com a profissão.

Outras primícias podem ser extraídas do estudo, nós podemos identificar que ao longo do tempo o trabalho tem sido menos físico e mais mental. Veja que temos uma queda vertiginosa no cansado (tired) e dolorido [acho que a tradução melhor seria desgastante] (pain) e uma subida considerável nos níveis de stress.

Nesse estudo do Kaplan e Schulhofer passo a entender os motivos por traz do pedido de demissão do meu amigo. Deve ser muito frustrante para o empregado chegar em casa no final do dia, e não ver que seu trabalho rendeu frutos. Não estou nem considerando ainda o fato do cara que trabalha num emprego que não gosta. A coisa aqui é um estagio ainda pior.

Você identificou-se como sendo um bullshit jober, não fica chateado. A culpa não é sua. Isso é dever do gestor identificar essas situações e evitar que isso aconteça.

Uma das grandes preocupações que tenho com a minha equipe é mante-los atualizados e sempre mandar um feedback do trabalho deles, para que eles possam ver os resultados.

Uma entrevista com o Graeber.
Desculpem mas não encontrei um vídeo legendado.

A ideia desse artigo não é trazer toda a teoria do “bullshit jobs”, mas apenas para despertar sua curiosidade sobre o tema. Tem diversos vídeos do Graeber no Youtube. Além deste livro na Amazon que explica toda a teoria.

Unilever – Dividendos Dezembro de 2018

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Unilever
Unilever

Apesar de já termos anunciado o nosso fechamento anual e apurado os dividendos recebidos no ano, confira aqui. Vamos publicar pelo menos para efeito de registros os detalhamentos de dividendos recebidos em Dezembro, também falaremos dos últimos resultados da Unilever.

Esse ano que passou foi muito bom em relação a dividendos, alias para um investidor de empresas de crescimento de dividendos, cada ano novo é uma nova alegria. Tivemos um crescimento de +61% nos dividendos recebidos esse mês frente aos dividendos recebidos no mesmo mês de 2017.

Alguns podem dizer, mas esse crescimento foi por causa dos aportes. Em parte está certo, eles contribuíram, mas não foi por si só o principal catalizador. Os aportes aumentaram o meu patrimônio em +26% nesse ano que passou.

O resto ficou por conta dos crescimentos dos dividendos e da reaplicação desses dividendos na carteira. Quando você combina esses três fatores juntos, a bola de neve passa a ter um crescimento avassalador. Falar em neve sente o clima:

https://twitter.com/VDividendos/status/1087831110933983233

E o interessante que eu fiz um bom trabalho na gestão de risco e não fui atrás de empresas com baixa qualidade, simplesmente buscando rendimento. Claro, poderia facilmente aumentar esse retorno entrando pesado em empresas com altos riscos.

Mas mantive-me no simples, diversifiquei e com foco em qualidade. Sinto-me muito confiante sobre as perspectivas futura de cada um desses jogadores que estão no meu time. Assim acho que as chances são bastante levadas, que cada uma dessas empresas irá pagar mais dividendos no próximo Dezembro e no próximo, e nos próximos…

Relatório Carteira de FII

Alguns leitores tem ativos no Brasil e investem em FII, pensando nisso resolvemos abrir uma parceria com o Rodrigo. Ele é um analista e produz um excelente material ligado exclusivamente ao mercado de Fundos Imobiliários Brasileiro.

No relatório o assinante acompanhará todas as informações necessárias para lhe ajudar na escolha dos melhores Fundos Imobiliários para investir.

Compilamos informações de mais de 80 Fundos em um único relatório, de forma objetiva, concisa e crítica, todos os fatos relevantes, relatórios mensais, informações financeiras, alterações de rendimentos, notícias relevantes, perspectivas de rendimentos futuros, entre outros dados que sejam necessários.

Além disso, muitos dados são fornecidos aos assinantes para possibilitar escolher melhor seus fundos imobiliários, entre eles: uma tabela com o yield médio de cada setor; uma tabela com o valor por m2 de cada fundo que investe diretamente em imóveis, bem como a reserva financeira desses fundos; uma tabela com a localização dos imóveis de cada um desses fundos; uma tabela com o comparativo do valor de mercado com o valor patrimonial dos fundos; uma tabela com o yield do último mês e dos últimos doze meses; e muito mais.

Saiba mais sobre o relatório de FII

Unilever – UL

Último aporte na empresa faz 1 ano. Não é uma das maiores posições na minha carteira. Estou até em debito com ela, preciso de fazer um novo aporte agora no começo do ano.

A empresa tem um case um tanto diferente das demais. Até já fiz um artigo explicando como funciona a classe de ações da Unilever, o artigo veio de uma pergunta de um leitor, nem sei se ele ainda acompanha o blog, mas achei valida a dúvida e resolvi escrever o artigo. Relembre aqui.

Vamos olhar como a UL se saiu nesse 2018. A empresa apresentou um crescimento de vendas de 3,8% no trimestre e 2,9% nos 9 meses do ano. Lembrando que o resultado foi impactado por uma hiperinflação na Argentina o que recuou o crescimento dos 4,5% para os 3,8%.

Como uma empresa global os volumes foram impactados pelo cambio em 5,2% e a empresa ainda continua com uma estimativa de resultado superiores entre 3 a 5% esse ano.

As receitas nos segmentos nesses nove meses foram de 15,2 € bi para Beleza e Cuidados Pessoais. Cuidados com a casa ficou com 7,5 € bi. E por fim, Comidas e Bebidas com 16 € bi. Ao todo temos uma receita de 38,7€ bilhões.

Todas as três divisões da empresa tiveram crescimento nas receitas. Os crescimentos maiores foram nos mercados emergentes que apresentaram 5,6% de aumento, como Asia AMET RUB. A America Latina foi impactada por um declínio nas vendas da Argentina.

O Brasil recuperou as vendas depois de um fraco 2 trimestre motivado pelas greves dos caminhoneiros que haviam ganhado os holofotes no release do meio do ano.

Whilst the Venezuelan economy is also hyperinflationary and has been for a number of years…

Não podemos esquecer da Venezuela que vem complicando o balanço da Unilever a um bom tempo.

No resumo o nosso continente apresentou um crescimento modesto de 1,5% mas não foi por culpa dos brasileiros. Os brasileiros aumentaram a receita da Unilever em 10% foi o maior crescimento de todo o mundo.

A empresa segue com as marcas fortes, como: Kinder, Magnum, Knorr, Lipton, Comfort, Dove, Citra, Rexona entre outras. O negócio continua a ter aumentos de receita em todo o globo, a empresa tem buscado lançar novos produtos no mercado e comprando outras marcas, como por exemplo:

Equilibra – Em outubro UL adquiriu 75% da marca italiana especializada em cuidados pessoais.
Quala – Comprou no inicio do ano a aquisição da marca que tem diversos produtos de higiene pessoal na America central até o Mexico.
Schmidt’s Naturals – uma marca de desodorantes e sabonetes dos Estados Unidos.

A Unilever tem que buscar expandir o seu leque de produtos, aproveitar da sua rede de distribuição e oferecer mais produtos no mercado, aumentando assim sua receita e consequentemente os crescimentos de lucros e dividendos. Considero um bom resultado para uma empresa gigante do tamanho da Unilever e num segmento tão competitivo e complicado quanto esse do varejo.

Invista em Dividendos nos Estados Unidos

Se você gostou da UL ou de outras empresas semelhantes a ela, saiba que é possível investir nos Estados Unidos de forma simples e barata. Não precisa ter tanto dinheiro e pode-se operar daqui do Brasil.

Abra sua conta numa corretora americana, diversifique seus investimentos em dólar e comece agora mesmo a montar sua carteira de ações nos Estados Unidos. Veja aqui como Abrir uma conta na corretora americana.

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Dividendos recebidos na BVMF
Ativo Cód Valor
FII AG CAIXA AGCX11 R$ 28,00
FII BB PRGII BBPO11 R$ 56,36
FII CX CEDAE CXCE11B R$ 58,68
FII EUROPA EURO11 R$ 35,10
FII ANH EDUC FAED11B R$ 57,21
FII RIOB RC FFCI11 R$ 15,12
FII RB CAP I FIIP11B R$ 38,96
FII S F LIMA FLMA11 R$ 41,67
FII CSHGSHOP HGBS11 R$ 32,40
FII CSHG LOG HGLG11 R$ 37,50
MÁXI RETAIL  MAXR11B R$ 39,90
FII D PEDRO PQDP11 R$ 15,62
FII HOTEL MAXINVEST HTMX11B R$ 35,58
RB CAPITAL RENDA II  RBRD11  R$ 40,09
FII LOURDES CI   NSLU11 R$ 40,76
Total R$ 572,95
Dividendos recebidos na NYSE
Ativo Cód Valor
JOHNSON & JOHNSON JNJ 8,19
NORFOLK SOUTHERN CORP NSC 11,76
VISA INC V 8,22
COCA-COLA CO KO 6,82
AFLAC INC AFL 7,37
EMERSON ELECTRIC CO EMR 8,23
3M CO MMM 8,57
CME GOURP INC CME 5,39
UNION PACIFIC CORP UNP 7,64
AUTOLIV INC ALV 21,70
LOCKHEED MARTIN LMT 10,78
UNILEVER PLC UL 7,99
REALTY INCOME CORP O 25,92
CHATHAM LODGING TRUST CLDT 44,86
STAG INDUSTRIAL INC STAG 26,15
EPR PROPERTIES EPR 29,48
Total  R$ 817,65 US$ 215,74

Total Geral: R$ 1.479,03

• Dólar utilizado para conversão: R$ 3,79 (veja aqui)

• Valores de dividendos recebidos das ações de NYSE já são declarados como líquidos, ou seja considerando o imposto de renda.

Acompanhe na pagina com as atualizações dos rendimentos mensais e veja como anda a evolução da minha carteira.

Veja como funciona os dividendos no EUA.

Invista na bolsa americana

Ele investe no melhor segmento de saúde – XD+ #29

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REIT Saúde XD29
REIT Saúde XD29

Vamos apresentar um REIT ligado ao segmento de saúde, mas bem distante dos problemáticos asilos. O segmento onde ele se encontra é considerado pelos analistas um dos mais defensivos do mercado do setor.

Conheça uma boa opção para passar pelo mercado Bear sem tirar o seu sono.

Saiu mais uma revista no Ex-Dividend, para quem é assinante acesse o XD para conferir.

Revista XD #29 com um dos melhores REITs de saúde.

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A parte mais difícil quando está investindo é selecionar os ativos que vão compor a sua carteira de ações e REIT. Escolher os ativos certos é uma tarefa que exige experiência e um grande conhecimento sobre análise de empresas. Contraditório ou não, justamente neste momento inicial é a hora que o investidor está começando e não tem tanta experiência com investimentos.

Vendo essa necessidade do pessoal resolvi juntar toda a minha expertise e conhecimento acumulado por todos esses anos e entregar isso através de um serviço. Não só ajuda os investidores que estão em busca de um futuro melhor, mas também lhes ensina a analisar e localizar empresas fenomenais.

Balanço Geral 2018

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independência financeira one piece
independência financeira one piece

Uma das idéias deste blog sempre foi compartilhar conhecimento. Porém, seu principal objetivo é servir como um local de registro da minha caminhada rumo a Independência Financeira. Utilizando meu exemplo espero que sirva de motivação para outras pessoas buscarem um crescimento financeiro.

Quero mostrar que é sim possível alcançar a Independência Financeira. Trabalhando, economizando e trabalhando mais vamos aos poucos dando um passo de cada vez rumo ao nosso objetivo.

Esse post é feito de forma anual, relembre aqui o do ano passado. É quando reservamos um tempo para ver o que aconteceu durante o ano. Porque é importante não só projetar o futuro como também entender e corrigir os erros passados. Esse é nosso quinto post de balanço geral. Esses posts tem um caráter muito pessoal, mas se for esperto você pode tirar algumas lições.

Imigração

Começamos com o nosso processo de imigração. As coisas estão caminhando positivamente. A Laura está indo muito bem na creche e a Tatiane tem se saído bem na Faculdade. Estamos mais acostumados a Alemanha, confesso que no começo foi um pouco difícil. Chegamos varias vezes a pensar em desistir ou procurar outro pais mais próximo da nossa cultura.

Agora estamos mais fixos, alugamos um apartamento e ainda estamos mobilando a casa. Sim, já tem quase 2 anos que estamos fazendo isso. Já estamos começando a criar aquele sentimento de lar. A última vez que fui ao Brasil e viajar para outro país por aqui, fiquei morrendo de vontade de voltar.

A Tatiane está na metade da faculdade, acho que a partir do próximo ano ela já começará a fazer estagio. Estávamos com planos de colocar a Laura numa escola internacional. Acabamos adiando para quando a Tatiane começar a trabalhar, assim teríamos uma noção mais certa de onde moraríamos.

Profissional

Na vida profissional, a empresa continua crescendo de forma bem robusta. Nosso plano de expansão a nível nacional está dando certo, fechamos o ano com mais de setenta franquias ativas. A carteira de clientes vem crescendo, assim como receitas e lucratividade da empresa.

No entanto, nem tudo são flores. A medida que o crescimento surge os problemas também. Tivemos vários problemas por conta do crescimento da empresa. Tanto que tive que ir ao Brasil para tentarmos achar alguma solução. Aprimoramos em vários aspectos, mas esse novo ano tentaremos acertar a nossa estrutura e melhorar nossos processos.

Tivemos a tentativa frustrada de aquisição de uma nova empresa de software, relembre aqui. Mas estamos analisando novas opções para o próximo ano.

Blog

Nossa principal novidade para o ano foi o lançamento do Ex-Dividend. Um serviço de assinatura para os leitores que desejam investir nos Estados Unidos. No XD+ publicamos diversas carteiras de investimento, com ativos específicos, também publicamos uma revista mensal com detalhes sobre esses ativos.

Inclusive aproveite porque depois do lançamento deste post o preço de assinatura vai aumentar. Então corre e assina ainda com o preço anterior.

Devido a ter que buscar a Laura na creche, bagunçou o meu horário de gravar o podcast. Então suspendi o serviço que ficou inoperante de agosto até dezembro quando retomei as gravações. O pessoal reclamou bastante porque eu havia parado, sei que a galera gosta do cast. Porém, só dá pra gravar nas horas vagas.

No canal do Youtube chegamos 6.714 inscritos praticamente um crescimento de 100%. O canal vem crescendo e mantendo um bom engajamento. Aqui no blog o acesso não cresceu tanto quanto nos outros anos. Pensei que viraria a marca dos 3 milhões, mas parece que vai ficar pra 2019.

Taxa de poupança

Todo ano é a mesma ladainha aqui no blog, de gente querendo dizer que fazer X ou Y é melhor. Já cansei de falar que o mais importante não é a sua rentabilidade, mas a sua taxa de poupança. Não adianta ficar com obsessão pra buscar 5% de rentabilidade se seus aporte não sobem.

Seu principal foco deve ser buscar o aumento dos seus aportes. Preocupa-se em criar fontes alternativas de receitas, leia aqui como fazer. É muito mais inteligente focar na seu aporte, porque ele você consegue controlar. Não adianta fazer projeção de ganhar X ou Y no futuro de rentabilidade, você não tem o controle do mercado.

Em 2016 meus aportes foram em média de 8,9k. Em 2017 crescemos em 33% os aportes indo para 11,9k. E agora esse ano chegamos a 18,7k um crescimento de 57% nos aportes.

Aportes ao longo de 2018

Nossa economia esse ano foi de R$ 225.296,42 isso dá uma taxa de poupança de 50,69%. Passamos um pouco aí do limite máximo, mas considero normal. Para quem não sabe tenho um range de 30 no mínimo a até 50% no máximo de taxa de poupança. Você pode se perguntar: Pra que travar o máximo? Quanto mais juntar melhor.

Ocorre que na vida você precisa buscar o equilíbrio. Não adiantar ficar igual um tarado querendo chegar logo na Independência Financeira e não aproveita a vida. O mais importante do que chegar lá, é a caminhada, não adianta chegar lá se sacrificou sua qualidade de vida.

Por isso eu coloco como meta máxima 50% pois considero viver com metade dos meus ganhos um bom parâmetro. E se passar? Bom se passar aí eu subo o meu padrão de vida. Como eu disse: O prazer está na caminhada rumo a Independência Financeira, não na chegada.

Gastos totais

Você não consegue ter uma boa taxa de poupança se não controlar seus gastos na ponta do lápis. Ou nome caso, na ponta do Banktivity, conheça o aplicativo que me permitir ter o controle total das minhas despesas.

Nos últimos dois anos os gatos com imigração bateram forte no orçamento. Só agora no final deste ano que a coisa começou a melhorar. Imigrar não é nada barato.

Total de gastos no ano de 2018

Podemos tirar várias conclusões nesse gráfico e histórico de gastos ao longo dos anos. Nessa tabela dá pra comparar os gastos do Brasil (2015) com o meus novos gastos aqui na Europa (2018). Ressaltando que temos um crescimento considerável de preços, a inflação de 2015 até dias atuais no Brasil não foi baixa.

Os gastos com habitação são bem pesados. Aluguel aqui na Alemanha é caro, pra minimizar isso um pouco procurei morar numa cidade ao lado da capital. Comprei um carro para facilitar o deslocamento com a diferença do aluguel. Ano passado fiquei um tempo em Portugal e por lá fiquei numa casa muito pequena. Não dá pra levar como parâmetro. Poderíamos compara com o Brasil 2015, está bem mais próximo.

Despesas pessoais foram maiores devido a várias roupas que tivemos que comprar de inverno. Também tivemos um gasto maior com os animais, que vieram a falecer nesse ano. Isso fez com que essa categoria subisse.

Utilidade ficou um pouco abaixo do ano passado. Já havia comentado aqui no blog que custos de gas, luz e internet na Alemanha são mais baratos que Portugal 2017 e nem se compara ao Brasil 2015. No Brasil gastamos muito com essas utilidades, a Luz, agua, entre outras despesas aí é muito caro. Lembrando que os preços de 2015 não estão ajustados pela inflação. Então o brasileiro deve gastar ainda mais nessa categoria.

Transporte é uma categoria que me surpreendeu. Eu basicamente fiquei sem carro boa parte do ano, mas mesmo assim esperaria um custo maior de transporte nesse ano. Veio abaixo da época que fiquei em Portugal, onde estive sem carro e quase não usei o transporte publico lá. Enquanto isso no Brasil gastava cerca de 23k com transporte no mês. Fico imaginando esse custo hoje com a gasolina nas alturas.

Por fim, “Não recorrentes” são aquelas despesas genéricas, compra de moveis, viagens e outros gastos. Os principais impactos aqui foram viagens com 34k. Outras com 19k aqui estão despesas genéricas. Como por exemplo as vezes que precisamos ir ao Brasil, a Tatiane para enterrar a Mãe e eu a trabalho. Moveis e eletrônicos ficaram com 18k e os carros com 7k.

No resumo da opera, minhas despesas de um ano para o outro cresceram em quase 10%. Estou bastante satisfeito, pois as minhas receitas cresceram em +30%. Se as suas receitas estão crescendo o dobro da suas despesas é isso que importa. Porém, deve-se tomar cuidado quando ocorrer o inverso, porque criar despesa é muito fácil, agora cortar é difícil!

Dividendos

Essas foram as metas que eu escrevi no ano passado, relembre aqui:

Ocorre que ao longo dos anos eu sempre consegui bater a meta com certa folga, então esse ano quero fazer um desafio, vou colocar uma meta bem ousada, principalmente nos dividendos, algo que tenho certeza que não vou conseguir bater.

Metas travadas no final de 2017 para 2018

Por incrível que pareça a meta que eu achei que não iria conseguir bater, foi batida com força.

Minha meta era receber R$ 21.000,00 em Dividendos nesse ano de 2018. A minha carteira me entrou 22.189,32 de dividendos nesse ano. A meta mensal era de R$ 1.750,00, consegui receber por mês R$ 1.849,11. Estou muito satisfeito com esse desempenho.

Dividendos recebidos ao longo de 2018

Veja que gráfico bonito. O interessante que toda semana tem um aqui preocupado com a próxima crise na bolsa. Fazendo cálculos e mais cálculos para achar melhor momento de começar os investimentos. Alias desde 2012 tem gente que tá esperando esse fim do mundo. Enquanto isso olha como o meu gráfico de dividendos cresceu bonito.

Tivemos um crescimento de 55% nos dividendos recebidos de 2017 até esse ano. Isso é fruto dos crescimentos nos aportes, mas também do poder das empresas de crescimento de dividendos. Quem assina o XD+ sabe como isso funciona. Não adianta você dar ctrl+c + v na minha carteira que não vai conseguir fazer isso. Veja que esses ativos são de 2012, ou seja, seis anos atrás. Hoje o mercado é completamente diferente, por isso temos o XD+.

Muitas vezes o pessoal fica tão focado em rentabilidade, isso é completamente inútil. Quando se está lidando com um objetivo de investimento a longo prazo para aposentadoria, o mais importante é acompanhar os seus dividendos. Isso é que irá pagar suas contas, não o que você recebeu ou por acaso você pretende terminar como o meu vizinho.

Patrimônio

Patrimônio dos investimentos em 2018

Interessante que o 2011 nem está mais aparecendo no gráfico. As vezes você vê aí na Internet outros blogs com patrimônio grandes. Muitas vezes o cara já começa lá no alto. O legal que você vai encontrar aqui no meu blog e talvez a garotada que está começando se identifique, é que o valor de 2011 que está tão pequeno é: R$ 2.171,40.

Ou seja, nós não começamos ganhando herança, nem nenhum premio na vida. Então pra você que está aí começando com seus 2k e as vezes acha pouco. Em menos de 8 anos nos também estávamos assim e agora viramos a barreira do meio milhão.

Depois do epic fail na tentativa de imigrar pro Canada que fez o meu patrimônio míngua. Colocando o ano de 2016 na história dos meus investimentos como o primeiro ano que meu patrimônio recuou.

Já nesse ano conseguimos chegar na marca de R$ 612.014,55 demonstrando um crescimento no patrimônio de incríveis 43%. Apesar de alto o crescimento no patrimônio deste ano foi menor que do ano anterior que saltou +56%. Não conseguimos chegar na meta de 625k mas ficamos próximos. Poderia até ter sabotado :) e enviado um pouco de grana no último mês, mas resolvi seguir meu cronograma mesmo.

Nesse gráfico acima representa meus investimento exclusivos da bolsa e na tabela abaixo representa o meu patrimônio total. Considerando, poupança, investimentos em bolsa, carros, imóveis e empresas.

Patrimônio Total

No quesito automóveis, troquei o carro do Brasil de um HB20 que vendi para a minha irmã e comprei uma Palio Weekend velhinha dela. Depois comprei um novo carro aqui na Alemanha que fez com que essa categoria subisse.

Na parte da Poupança mantivemos o mesmo padrão praticamente de reserva de emergencia. Nesses vídeos explico como você montar uma reserva de emergencia e o que você precisa fazer para não ser pego de surpresa com despesas no meio do mês.

Na empresa o valuation da firma saiu de 13,4 milhões para 15,6 milhões. Esse crescimento foi por conta do nosso processo de expansão. Lembrando sempre que esse valuation é como se fosse o custo da minha empresa, por exemplo se um investidor chegar querendo comprar a empresa certamente não seria só esse valor. Teria vários outros fatores a serem inseridos nesse valuation, esse valuation seria tipo uma base bem simples do valor da empresa.

Rentabilidade

Antes de falar desse assunto vamos fazer uma pequena introdução sobre o tema. Apesar de falar sobre rentabilidade eu não baseio minhas decisões olhando para rentabilidade. Sei que para alguns pode parecer repetitivo. Ocorre que todo ano chega muita gente nova no blog e muitos vem com essa mentalidade de valorizar rentabilidade e Dividend Yield. Então antes de tomar qualquer conclusão sobre o que vou falar dê uma lida aqui.

Não acompanho mensalmente rentabilidade, mas no final do ano levanto os melhores e piores ativos da minha carteira. Lembrando sempre que isso não serve de base nem para me dizer se devo comprar ou vender um ativo.

Vamos mostrar as 3 top e as 3 piores retornos total da minha carteira, considerando dividendos.

Os 3 melhores ativos

  • FII Parque Dom Pedro – PQDQ11: + 327,82%
  • Square Faria Lima – FLMA11: + 314,08%
  • Visa Inc – V: + 133,68%

Os 3 piores ativos

  • Kite Realty Group Trust – KRG: – 19,10%
  • Tanger Factory Inc – SKT: -27,31%
  • Farmland Partner Inc – FPI: -33,30%

Eu gosto de trazer as vezes essa informação sobre rentabilidade. Porque todo mês aparece um aqui pra dizer que oque eu faço é errado e que ele sabe o certo. Eu posso ter saído do zero e estar sentado em cima de 1 milhão que mesmo assim continuarão repetindo.

Para aqueles que acham que minha rentabilidade é pouca, está muito enganado. Tenho certeza que se começasse a colocar minha rentabilidade aqui iria vir um monte de leitores novos. Mas eu não quero esse tipo de gente com essa mentalidade, pelo contrario eu quero combater isso.

Pela primeira vez tivemos não só um mas dois ativos com +300% de retorno. Ou seja significa que já recebi 3x o valor investido no ativo.

Temos mais de 10 ativos que já renderam mais de 100%.

Esses ativos com +100% era para ter mais, pois o fato de ter feitos muito aportes esse ano tirou alguns dessa lista. Já que os ativos continuam subindo daí quando compro eles novamente o preço médio tende a subir.

Como eu estou comprando frequentemente na bolsa americana, é difícil de achar ativos de lá no topo das rentabilidade. Principalmente REITs que recebem boa parte dos aportes mensais.

Como melhores ativos não tivemos nenhuma alteração os top3 seguem no top desde o ano passado. A Visa deve pular fora esse ano, pois certamente deve receber aportes.

Na ponta negativa tivemos uma boa melhora do EPR que saiu da lista de piores e entrou o FPI. Que por sinal chegou liderando com tudo. E só apenas a título de curiosidade o melhor REIT em retorno total foi o patinho feio do OHI: Quem diriaaaa!

Metas 2019

Minha meta esse ano na empresa será organizar a casa, trabalhamos para melhorar nossos processos. Ajustar nosso suporte ao cliente final que está bem deficitário. Expandir nosso programa de franquias e criar novos produtos rentáveis para o negócio.

Tinha a intenção de aprender alemão, mas nem vou colocar isso como meta. A empresa tem me consumido boa parte do meu tempo. Preciso esperar passar essa fase de crescimento acelerado para poder conseguir cuidar de alguns projeto pessoais.

Vou lançar um novo site aqui, um projeto que estou trabalhando desde o final do ano passado. Em breve colocarei mais noticias a respeito. Creio que esse novo site irá ajudar muitas pessoas.

Nos investimentos vou continuar a focar meus aportes na bolsa americana, buscando um crescimento cada vez maior dos dividendos. Não vou fazer nada muito ambicioso para os aportes ou dividendos como fiz no ano anterior. Vou tentar ser bem moderado esse ano nas metas.

  • Taxa de poupança: 45% a 55%
  • Dividendos R$ 31.200,00 (média de R$ 2.600,00/mês)
  • Patrimônio: 725.000,00

Conclusão

Esses dias um leitor me mando no whats do blog dizendo que estava fazendo um planejamento da sua Independência Financeira. Ele tinha programado os próximos 20 anos. Eu fico pensando: Meu Deus esse povo não tem noção alguma de gerenciamento de projetos ágil.

Não tente programar nada na sua vida pra tanto tempo, porque você só estará se iludindo com isso. Se você tem um problemão você tem que dividi-lo em partes menores. Se você tem uma caminhada de 20 anos, então divida-a em passos anuais. Não fique igual tarado fazendo milhões de calcos pra saber o quanto precisa de juntar. Você não sabe o quanto vai estar gastando daqui a 10 ou 20 anos, então não faz sentido projetar isso.

Ao invés disto, projeto o seu próximo ano. Veja no que você pode melhorar, acompanhe ano a ano sua evolução e não se preocupe em fazer projeções longas, porque uma coisa é certa: você vai falhar nisso!

Todo ano eu posto uma música do One Piece então segue a desse ano. O arco da Big Mom tá muito top. Se liga na letra:

Ações de crescimento vs dividendos

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ações de crescimento

Esses dias um leitor me questionou o que seria melhor no longo prazo: uma empresa de crescimento ou de dividendos. Vou utilizar dois exemplos da bolsa americana.

Uma que preocupou-se em manter um payout baixo para poder crescer os dividendos e outra que não se preocupou. Veja o que aconteceu com cada uma delas e surpreenda-se com a resposta.

Existem alguns investidores ou “formadores de opiniões” que defendem que devemos focar em empresas que não distribuem dividendos.

Isso é uma falácia. Apesar de já ter falado diversas vezes sobre isso por aqui. Vou mostrar através de dois artigos como isso pode ser desmistificado. O primeiro artigo será esse e o segundo irei lançar mais pra frente. Portanto, inscreva-se no nosso blog para ficar por dentro.

Antes de iniciarmos, recomendo a leitura deste artigo. Onde mostro um vizinho, que descobriu tarde que esse é um mau caminho. O artigo trata de um ETF que não distribui dividendos, mas é o mesmo conceito de uma empresa de crescimento.

Definindo o que são empresas de crescimento de dividendos

Muitas pessoas confundem empresas de dividendos com de crescimento de dividendos. Os nomes são bem parecidos, oque acaba não ajudando. As primeiras tendem a distribuir fartos dividendos, tem geralmente Yields baixos e Payouts altos. As segundas, são as minhas preferidas, não distribuem fartos dividendos, mas crescem-nos por longos anos.

Os “formadores de opinião” adoram utilizar as primeiras para comparar com as empresas que não distribuem dividendos.

Temos esse outro artigo, no qual eu explico porque no longo prazo as segundas tendem a ter resultados melhores. No artigo mostrei o conceito matemático da coisa, agora vou mostrar na prática e examinar a história para comprovar isso.

Apresentando o setor

O setor automobilístico e de auto peças não tem muitas empresas com caixa e lucros consistentes. As empresas do setor são conhecidas por pagar bons dividendos nos anos em que a economia está bombando. E cortam os dividendos quando as vendas de carros começam a despencar.

Basta olhar o balanço de uma Ford – F para verificar isso. Claro que temos exceções nesses segmento, quem assina o Ex-Dividend conhece um par de exceções desse segmento.

Mas queria pegar duas empresas do segmento de auto-peças para ilustrar um pouco do que estou querendo dizer. Como uma empresa preocupada em crescer os dividendos pode ser muito mais vantajosa para o acionista que uma empresa que está preocupada em só buscar crescimento.

Na década de 90 iniciou-se uma revolução dentro do segmento automobilístico. O mercado de assento para carros estava mudando. General Motors, Ford e outras marcas americanas estavam deixando de produzir seus próprios assentos e começava um processo de terceirização.

Duas face da mesma moeda

Duas companhias dominavam essa indústria emergente de assentos automobilísticos: Lear – LEA e Johnson Controls – JCI.

Fabrica da Lear uma ação de crescimento
Fabrica da Lear

Lear tinha surgido de um grande conglomerado, a empresa era grande não só em tamanho como também em dívidas.

Escritorio Johnson Controls crescimento de dividendos
Escritorio Johnson Controls

Johnson Controls em contra parte, já tinha cerca de 100 anos de existência, fundadora e inventora do termostato em 1883. Entrou no mercado de assentos automobilísticos quando adquiriu a Hoover Universal em 1985.

Ambos os negócios cresceram rapidamente. Porém quando a Lear se tornou pública em 1994 já era possível ver qual balanço era superior.

Ela estava focada estritamente no segmento automotivo. Enquanto, que a Johnson Control era mais diversificada e tinha outros negócios (baterias, construção e até plástico).

O que a Johnson Control tinha naquela época, e a Lear não tinha, era os dividendos.

Comparando os resultados

Se colocarmos $10.000 investidos na Lear em 1995 em uma década teríamos $16.117. Representando um retorno total de apenas 3,9% ao ano. Menos que a metade que o S&P500 oferecia.

O mesmo investimento na Johnson Controls, com os dividendos reinvestidos daria um crescimento de $89.153 um retorno anual de 18,9%.

JCI vs LEA Ações de crescimento vs dividendos
JCI vs LEA

Acho que o artigo poderia se encerrar aqui. Mas vamos tentar entender o porque desta diferença tão gritante.

Veja que tomei o cuidado de pegar duas empresas equivalente de setores semelhantes e passando por momentos iguais. Não adianta você pegar uma empresa de TI e comparar com uma de automóveis para justificar seus argumentos. Precisa-se de ter coerência e comprar pares iguais. Tomem cuidado com isso porque muito “formadores de opinião” adoram falar sem dar exemplo e quando dão, utilizam exemplos totalmente desconexos do contexto.

Entendendo a diferença

Diversos fatos podem ser considerados. Primeiro Johnson Controls teve uma atração maior dos fabricantes no início. Antes do boom no setor eles já atendiam Toyota – TM, que já tinha quadruplicado o Market-Share no mercado de veículos. Depois fecharam também com Nissan – NSANY e Honda – HMC.

Toyota Marketshare USA
Toyota Marketshare USA

Em contra partida, Lear vinha capturando a maior parte dos negócios em Detroit com a GM, Ford e Chrysler. Esses fabricantes tinham 80% e caíram para 50% de Market-Share. Perdendo justamente para os orientais, os clientes da Johnson Controls.

Esse sem dúvidas era o principal fator para fazer com que os analistas optassem pela Johnson Controls. Também, Johnson Controls era dona de outros negócios enquanto a Lear era estritamente focada no segmento de auto.

Alocação de capital

Outro dos principais fatores que explica a diferença de retorno em cada Stock é como elas praticavam a alocação de capital.

Em meados de 1990, Lear gastou bilhões de dólares, maior parte proveniente de péssimos empréstimos. Pagando juros altos para comprar qualquer fornecedor de peças ligadas ao setor.

Johnson Controls também fez grandes aquisições, mas os acordos eram geralmente menores e rapidamente pagos através da geração de caixa.

Nunca pagou dividendos

Outro ponto importante é que nos primeiros nove anos com uma empresa da bolsa a Lear nunca pagou dividendos. Johnson Controls havia pago dividendos todos os trimestres desde 1887. Um fato, que com razão, a empresa nunca deixou de se gabar nos seus releases.

Lear começou a pagar dividendos em 2003, mas não durou muito, pois a sua dívida forçou a suspensão dos dividendos. Os acionistas receberam somente 10 trimestres de dividendos, totalizando $2,25 por ação. Enquanto isso a Johnson Controls cresceu os dividendos a uma taxa de crescimento anual de 11% desde 1994.

Os dividendos são um efeito ou a causa do sucesso / fracasso nos dois casos.

Causa ou efeito ?

Efeito:

  • Johnson Controls claramente tem uma alocação de capital superior. Conseguiu os melhores clientes. Além, de ter feito menores e melhores aquisições e usado muito menos dívida com um caixa mais enxuto.
  • Lear claramente falho nessa tarefa. Enquanto que a JCJ pagava crescimentos significantes nos seus dividendos, Lear com as finanças apertadas não conseguia distribuir dividendos. E quando distribuiu logo teve que cortar, pois o caixa não se sustentou.

Causa:

  • O fato de que a Johnson Controls pagava dividendos já antes da década de 90 significa que, sabia administrar melhor seu caixa. Johnson Controls tinha um compromisso com o acionista em distribuir dividendos crescentes. Por isso não podia arriscar o caixa em uma estratégia de aquisições mais agressivas, como foi feito pela Lear. Se a empresa cortasse ou eliminasse os dividendos os acionistas iriam martelar a diretoria. A pressão por resultados concretos é muito maior. O CEO precisava de fazer o negócio crescer também para manter os dividendos em alta. Os dividendos forçavam uma intensa disciplina e entrega de resultados para os gerentes da Johnson Controls.
  • Alem disso, Johnson Controls tinha estabelecido a prática de crescer dividendos todos os anos desde 1975. Os investidores não esperavam apenas que os dividendos fossem religiosamente mantidos, como também crescidos. A empresa só construía novas fabricas ou fazia aquisições que realmente fossem agregar ao caixa do negócio. Aquisições só eram fechadas se trouxessem crescimentos futuros para a empresa.
  • O investidor que até hoje não percebeu que crescer dividendos obriga uma excelência muito maior na administração do negócio, me desculpe, mas vai procurar um curso de lógica. Porque, ou você é um analfabeto funcional ou um retardado mesmo.
  • Lear não pagava dividendos antes e durante a década de 90. Sem um registro de crescimento de dividendos, pois o mercado não esperava isso dela. Sem esse compromisso a empresa se preocupou em fazer uma pilha de receita. Gastou bilhões em aquisições e comprou diversas empresas pelo caminho. Não preocupava se o negócio daria lucro. Afinal, não tinha o compromisso e a pressão dos acionistas de dividendos como a Johnson Controls possuía. Por fim, Lear construiu um verdadeiro império com $21 bilhões de receita de vendas. Porém o lucro deste império era bem decepcionante. E uma hora essa conta tem que fechar.
Johnson Controls Dividendos vs Preço ação
Johnson Controls Dividendos vs Preço ação

Johnson Controls e Lear fizeram suas escolhas no passado, e agora irão colher seus frutos. Uma em busca de fama e fortuna enquanto que o outro buscava o crescimento sustentável por causa dos dividendos.

Vocês puderam conhecer essas duas histórias, olhar os resultados ver os crescimentos e aquisições. Não temos dúvidas que essas duas rivais sempre estiveram tentando chegar no top.

Contudo, mesmo uma olhada no histórico e perspectivas dos dividendos teria direcionado aqueles investidores que buscam a independência financeira nas ações, para a ação mais lucrativa.