Você provavelmente não lerá todas as referências desse artigo. São muitas distrações nos nossos dias atuais, as vezes interrompidos por ligações, e-mails que pipocam na nossa frente, algum colega de trabalho que nos chama.
Cada vez mais nossos dias de trabalho parecem com uma luta entre e-mails, WhattsApp, alerta de notícias e mídias sociais de um lado e nossa atenção de outro.
Você é daqueles que fica trocando de aplicativos a todo instante? Bem você sofre da Troca de Contexto.
Cada vez que você muda o foco da sua atenção você tem um preço alto a ser pago.
Troca de contexto
Dentro de um computador ele funciona o tempo todo com trocas de contextos. Isso pode funcionar muito bem para uma máquina, mas para nós humanos a coisa não é tão simples.
Pagamos caro com tempo e atenção quando ocorre essa troca de contexto.

Digamos que você esteja escrevendo um relatório e receba uma notificação de um novo e-mail. Por hábito, você toca na notificação para ver se é algo importante.
Você com isso acabou de mudar seu contexto do relatório para caixa de entrada do e-mail.
É uma solicitação do seu chefe para alguns dados. Não é grande coisa, ele não precisa disso até o final de semana. Você marca que não foi lido para voltar mais tarde com essa pendência e volta para seu relatório.
Identificou-se? 🙋♂️
A interrupção não durou mais do que cinco minutos. Mas à medida que você retorna ao seu relatório, parte de sua atenção permanece no e-mail.
Pessoas que experimentam resíduos de atenção após a troca de tarefas provavelmente demonstrarão baixo desempenho nessa próxima tarefa.
Shopie LeRoy da Universidade de Minnesota especialista em atenção humana, descreve o efeito dessas interrupções.
O custo do seu e-mail, não foi só os cinco minutos.
Esse prejuízo é até difícil de quantificar. O trabalhador moderno passa o dia todo saltando entre inúmeras tarefas, programas, telas e abas do navegador.
Quanto mais tempo em e-mail e conversas curtas, quanto mais troca de telas, menos produtivas as pessoas se sentem no final do dia.
A Microsoft fez um estudo sobre foco e descobriu que nós não somos multitasking.
Nossas ferramentas são projetas para interromper.
Desde 2015 a 2018 o número de aplicativos usados por empresa aumentou 43%.
Com recursos como notificações e símbolos de mensagens não lidas, nossa tecnologia é projetada para nos interromper.
O problema que enviar uma mensagem é muito mais fácil do que descobrir como obter uam reposta por si só.
A maioria dos trabalhadores não pode ficar 6 minutos sem verificar e-mails ou mensagens instantâneas, de acordo com o Rescue Time.
Mesmo que não respondamos, ver esse novo texto ou chamada tira nossa atenção o suficiente para que tenhamos dificuldades para nos concentrar em uma tarefa em mãos.
Não são só os aplicativos os vilões
Trabalho com desenvolvimento de software lá na empresa.
Desenvolver exige um grau altíssimo de concentração.
O ideal é que os programadores trabalhassem isolados dentro de uma sala com zero ruído de som e interrupções.
Ocorre que quando cheguei na empresa todos lá tinham a cultura de entrar na sala dos programadores para tirar alguma dúvida, fazer algum comentário, pegar alguma dica.
Essa interrupção, às vezes até que curta, destruía com a produtividade dos programadores.
Uma das coisas mais difíceis de mudar lá foi que eles não deveriam mais interromper os programadores.
Passei muito stress monitorando isso, na época eu comecei a chamar atenção de quem interrompia. Por fim, estava puxando a orelha de ambos os lados de quem interrompia e de quem se deixava interromper.
Hoje, não está ideal, mas melhorou absurdamente. Moral da história:
Nosso concorrente no ano passado conseguiu entregar 300 melhorias no software dele com o dobro da nossa equipe, a estimativa deles é que esse ano consigam subir isso para 500 melhorias.
Nós entregamos ano passado 1.500 melhorias, um baile neles, isso só foi possível graças a minha política de zero tolerância para interrupções.
Quando você se auto sabota
Nosso cérebro anseia por novidades o tempo todo. Interrupções não são apenas externas. Na verdade, somos tão propensos a nos interromper quanto sermos interrompidos.
Ferramentas de mídia social, e-mail e comunicação em equipe estimulam nosso desejo humano de querer se conectar com as pessoas e acessar novas informações, mas diminuem o foco e habilidades de processamento.
Cada interrupção nos traz uma informação valiosa… Por isso pedimos à Internet que continue nos interrompendo, de maneiras cada vez mais e diferentes. Aceitamos de bom grado a perda de concentração e foco, a divisão da nossa atenção e a fragmentação de nossos pensamentos, em troca da riqueza de informações convincentes ou pelo menos desviantes que recebemos.
O preço que pagamos por cada Mudança de Contexto
Mata a produtividade
Quando trocamos de contexto, nossos cérebros recebem vários estímulos de uma só vez. Isso retarda o pensamento e a tomada de decisão. Ao retomar uma tarefa após distração, pode levar cerca de 23 minutos para se concentrar novamente.
Deixa-Te mais burro
Podemos armazenar entre 3 e 7 informações de cada vez. Ao nos inundar com novas informações, numa troca de e-mail ou notícias nas mídias sociais, a mudança de contexto tira o espaço cerebral de que precisamos para reter e processar as informações com as quais já estávamos lidando.
Na verdade, as pessoas que tentam fazer malabarismos com mensagens e trabalhar veem um declínio de QI de 10 pontos equivale a perder uma noite de sono.
Diminui sua atenção
Nossa atenção é um dos recursos mais importantes. Mas é a que mais sofre quando estamos trocando de contexto.
Quando nossa atenção é dividida, lutamos para integrar informações fragmentadas em estruturas de tarefas coesas que fazem sentido. Leia mais sobre isso neste artigo da Carnegie Mellon.
Confunde prioridades
O estresse de se movimentar entra as tarefas faz com que nosso foco se restrinja ao que está bem a nossa frente.
Com diminuição da capacidade de recuar, criar estratégias e focar em prioridades mais altas, usamos como padrão trabalhar em tarefas mais imediatas e de baixo valor. Acaba reforçando a ideia de ver mais e mais e-mails.























