Entenda o mercado ferroviário dos EUA

A Norfolk Southern coal train wends its way...A paixão dos americanos por trens vem desde o século 19 e foram os trens o principal fator que fez com que o EUA se tornassem tão desenvolvidos economicamente como são hoje. Depois de um forte estouro no inicio da industrialização americana as empresas do setor ferroviário passaram por dificuldades severas durante décadas.

Quem já viu o famoso seriado da History Channel falando sobre os grandes empresários da industria americana o “The Men Who Built America”, se ainda não assistiu esse seriado eu aconselho a ver pois é muito bom, se você já assistiu sabe muito bem do que estou falando, nele pode-se perceber o papel que os empresários do transporte ferroviário tiveram no desenvolvimento do país.

Enfim o setor estava muito mal das pernas devido a forte regulamentação do governo, o setor quase chegou a falência quando por volta dos anos 80 houve uma desregulamentação. A regulamentação estava matando as empresas de transporte de cargas e apôs a desregulamentação do setor o volume de transporte dobrou, e os preços ao consumidor caíram pela metade.

Os preços pelo transporte de carga deixaram de ser determinados pelo governo e passou a ser estabelecido de acordo com a demanda do mercado, as empresas precisavam de sobreviver sem subsídios do governo por isso ocorreu uma reestruturacao na saúde financeira dos operadores. Para tornar o negocio ainda mais atrativo o governo permitiu que os operadores abandonassem linhas que não eram rentáveis economicamente, o que tornou as empresas altamente competitivas e focou os investimentos onde realmente era importante.

Os Estados Unidos é o país que possui a maior malha ferroviária do mundo, são 200 mil quilômetros espalhados por nove redes, sendo 7 predominantes. Quase 100% dessa malha é privada assim como sua operacionalização, as linhas fazem conexões com outros dois países vizinhos, Canada e México.

Em 2012 os EUA voltaram a investir pesado no setor de transporte ferroviário e ele vem passando pela sua maior expansão desde o auge da era de ouro da industria no século 19. Somente no ano passado foram investido 14 bilhões de dólares na construção de trilhos, ferrovias e estações de reabastecimento.

Essa expansão não tem sido tanto geográfica, envolve uma corrida para melhorar a eficiência nas rotas já existentes ampliando as movimentação de cargas e a capacidade de transportar diferentes tipos de cargas. Algumas ferrovias estão construindo novos terminais enormes que se assemelham a portos. Estão transformando os trilhos em ferrovias de pista dupla, para absorver a demanda de frete dos EUA que deve crescer. Eles vem procurando aumentar a altura de túneis e elevando pontes para acomodar mais contêineres empilhados.

Essa forte demanda por frete tem crescido em parte pelo forte exportação de commodies da China, geralmente esses containers são desembarcados nos portos mexicanos e transportados por trens por todo os EUA. Os trens ainda continuam a ser a melhor e mais eficiente forma de bens e produtos acabados chegarem aos seus destinos.

Parece que algumas empresas do setor de ferrovias, principalmente as transcontinentais tem sido sobrevalorizadas no mercado de ações como é o caso da Canadian Pacific, Union Pacific e Kansas City Southern. Essas ações que antes estavam esquecidas parecem estar se tornando populares novamente, isso pode estar acontecendo por conta da forte demanda por frete no mercado americano ou talvez por conta da publicidade que rolou quando Warren Buffet comprou a Burlington Northern Santa Fe e mostrou aos investidores que havia um monte de valor nos trilhos novamente.

Eu acredito que o preço das transcontinentais esteja um pouco fora do que elas realmente valem, apesar de grandes players estarem muito caro você consegue encontrar casos como a Norfolk Shouthern e a Canadian National que estão uma verdadeira pechinchas.

Deixe o seu comentário: